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DeepSeek capta US$ 14,8 bilhões e pode chegar à bolsa antes da OpenAI

A chinesa de IA, avaliada em cerca de US$ 74 bilhões antes da rodada, mira estreia na Bolsa de Xangai no início de 2027; a OpenAI adiou seu IPO, e a Anthropic deve abrir capital em novembro

Por
VEXIA
Publicado em · 6 min de leitura
DeepSeek capta US$ 14,8 bilhões e pode chegar à bolsa antes da OpenAI

A DeepSeek, startup chinesa de inteligência artificial que ganhou projeção internacional no ano passado com um modelo de alto desempenho e custo relativamente baixo, levantou 100 bilhões de yuans — cerca de US$ 14,8 bilhões — em sua segunda rodada privada de captação, segundo apuração da Reuters reproduzida pelo NeoFeed. A rodada começou em julho e foi concluída em outubro, e a empresa mira agora uma estreia na Bolsa de Xangai no início de 2027.

Contexto

A captação superou em muito a expectativa inicial: segundo a reportagem, a meta era de 50 bilhões de yuans, e o resultado final — 100 bilhões de yuans — ficou no dobro do esperado. Mais de 15 investidores participaram da rodada, segundo a Reuters. Entre eles está a fabricante chinesa de baterias CATL, maior produtora mundial do insumo usado em veículos elétricos, e a Tencent, uma das maiores empresas de tecnologia da China, que já era investidora da DeepSeek antes desta rodada. Monolith Management e Shixiang, também já investidoras anteriores, voltaram a aportar capital. Entre os novos apoiadores estão a Stony Creek Capital, especializada em semicondutores, a Legend Capital — ligada à fabricante de computadores Lenovo — e, segundo o Wall Street Journal, a montadora chinesa Geely.

Antes da rodada, a DeepSeek já era avaliada em cerca de 500 bilhões de yuans, o equivalente a aproximadamente US$ 74 bilhões — um valor que deve ter sido revisado para cima após a nova captação, embora a reportagem não traga o valuation pós-rodada.

O que está em jogo

Segundo o Wall Street Journal, a DeepSeek pretende estrear na Bolsa de Xangai no início de 2027, e já contratou o banco Citic Securities para assessorar a oferta pública inicial (IPO). Em setembro, a empresa também contratou Yan Wentao, um ex-investidor de capital de risco, para o cargo de diretor financeiro — um movimento típico de empresas que se preparam para a maior exposição a investidores institucionais e exigências regulatórias que vêm junto com a abertura de capital.

O momento da captação e do anúncio do IPO coloca a DeepSeek numa posição competitiva interessante em relação às rivais ocidentais: a OpenAI, segundo a Reuters, adiou seu próprio IPO para 2027 e planeja, antes disso, uma nova rodada de captação de cerca de US$ 30 bilhões — movimento que poderia elevar o valuation da empresa a cerca de US$ 1,4 trilhão. Já a Anthropic deve abrir capital ainda em novembro de 2026, mas reportou prejuízo de US$ 80,7 bilhões no primeiro semestre do ano, dos quais US$ 72 bilhões correspondem a ajustes contábeis ligados a títulos conversíveis em ações — não necessariamente uma perda operacional no sentido tradicional, mas um número que tende a chamar atenção de qualquer investidor avaliando o IPO.

Como isso funciona

Dependendo da data exata de listagem de cada empresa, a DeepSeek pode efetivamente chegar à bolsa de valores antes da OpenAI — um resultado simbolicamente relevante, já que a OpenAI é, historicamente, a referência mais citada do mercado de inteligência artificial generativa, enquanto a DeepSeek só ganhou destaque internacional mais recentemente, justamente por demonstrar que é possível competir no desempenho de modelos de IA com um custo de desenvolvimento declarado como bem mais baixo que o das rivais americanas.

A composição dos investidores da rodada — uma mistura de gigantes de tecnologia chinesa (Tencent), fabricantes de insumos estratégicos (CATL, baterias), uma montadora (Geely) e fundos especializados em semicondutores (Stony Creek Capital) — sugere que a aposta na DeepSeek, na China, está sendo tratada como estratégica para múltiplos setores da economia chinesa, não apenas como uma aposta financeira isolada no setor de tecnologia. A presença de uma fabricante de veículos como investidora, por exemplo, aponta para o interesse direto da indústria automotiva chinesa em aplicações de IA — provavelmente ligadas a direção autônoma e manufatura inteligente.

Análise VEXIA

A corrida para a bolsa de valores entre DeepSeek, OpenAI e Anthropic ilustra como o mercado de inteligência artificial generativa, que até poucos anos atrás era dominado quase exclusivamente por capital de risco privado, está entrando numa nova fase de maturidade financeira — em que as maiores empresas do setor buscam capital público para sustentar o nível de investimento necessário para competir em infraestrutura computacional, que é a principal barreira de entrada e também o principal gargalo de custo desse mercado. A diferença de timing entre as três empresas — DeepSeek mirando o início de 2027 em Xangai, Anthropic prevendo novembro de 2026 e OpenAI adiando para 2027 enquanto capta mais uma rodada privada de até US$ 30 bilhões — mostra que cada uma está calculando de forma diferente o equilíbrio entre acessar capital público o quanto antes e esperar para consolidar uma posição de mercado mais forte antes do escrutínio que vem com uma oferta pública.

O prejuízo contábil de US$ 80,7 bilhões reportado pela Anthropic, mesmo majoritariamente explicado por um ajuste contábil específico (conversão de títulos em ações), é o tipo de número que tende a gerar escrutínio público intenso durante o processo de IPO — e reforça um ponto que já aparece nesta reportagem como tendência mais ampla do setor: investidores estão cada vez mais atentos à capacidade real dessas empresas de transformar investimento pesado em infraestrutura de IA em lucro operacional sustentável, não apenas em crescimento de usuários ou avaliação de mercado.

Para empresas brasileiras que dependem de infraestrutura de IA de provedores internacionais — tema que a VEXIA já tratou esta semana ao noticiar a reavaliação de risco das chamadas neoclouds —, a entrada de mais um grande player (DeepSeek) no mercado de capitais públicos é, em tese, uma notícia positiva: mais competição entre fornecedores de infraestrutura e modelos de IA tende a pressionar custos para baixo no médio prazo, ainda que o efeito imediato dependa de como o mercado reage à oferta pública de cada uma dessas empresas quando ela efetivamente acontecer.

O que muda na prática

  • Empresas brasileiras que usam ou avaliam usar modelos de IA da DeepSeek podem esperar mais capital disponível para a empresa investir em desenvolvimento e infraestrutura, com a capitalização recente e o IPO planejado para 2027.
  • Investidores que acompanham o setor de IA devem observar a sequência de IPOs de Anthropic (novembro de 2026), DeepSeek (início de 2027) e OpenAI (2027) como um teste real de quanto o mercado público está disposto a pagar por empresas de IA generativa — um sinal mais confiável do que avaliações feitas em rodadas privadas.
  • Empresas de setores adjacentes à IA (como semicondutores, baterias e manufatura automotiva) podem observar no padrão de investidores da DeepSeek — CATL, Geely, fundos de semicondutores — um indicativo de onde o capital estratégico chinês está apostando que a IA vai gerar valor aplicado nos próximos anos.
  • Quem acompanha a disputa entre China e Estados Unidos no setor de IA ganha, com esses movimentos, um indicador concreto: a China está mobilizando capital doméstico significativo para disputar a liderança do setor por meio do mercado de capitais, não só por meio de desenvolvimento tecnológico isolado.

Cenários e próximos passos

A DeepSeek deve seguir os preparativos para a oferta pública inicial na Bolsa de Xangai, com o Citic Securities já contratado como assessor — o mercado deve acompanhar se a empresa confirma a janela de “início de 2027” citada pelo Wall Street Journal ou se antecipa o processo diante da competição com Anthropic e OpenAI. A Anthropic, por sua vez, é a próxima a testar o apetite do mercado público por ações de empresas de IA generativa, com IPO previsto para novembro de 2026 — um resultado que deve servir de referência para como investidores avaliam tanto a DeepSeek quanto a eventual oferta da OpenAI em 2027.

Fontes

  • https://neofeed.com.br/negocios/deepseek-capta-us-148-bilhoes-e-pode-furar-a-fila-da-openai-na-bolsa-de-valores/
Nota de transparência

Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.

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