Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde de 82% em julho, aponta CNC

O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida alcançou 82% em julho de 2026, o maior índice da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta quinta-feira (6). O resultado representa a sexta alta mensal consecutiva e evidencia o aumento da dependência do crédito pelas famílias para manter despesas essenciais e o padrão de consumo.
Segundo o levantamento, o avanço do endividamento ocorre em um cenário marcado por taxas de juros elevadas, inflação sobre itens básicos e renda pressionada. Esses fatores têm levado um número crescente de consumidores a recorrer ao crédito, especialmente para cobrir gastos do dia a dia, o que amplia o comprometimento do orçamento familiar e dificulta a quitação das obrigações financeiras.
O cartão de crédito permanece como a principal modalidade responsável pelo endividamento no país. De acordo com a CNC, a facilidade de acesso ao crédito rotativo e a utilização frequente do cartão para despesas cotidianas contribuem para o aumento do número de famílias endividadas, principalmente quando o pagamento integral da fatura deixa de ser realizado.
Além do crescimento do endividamento, a pesquisa aponta que a inadimplência continua em níveis elevados, indicando que parte significativa das famílias enfrenta dificuldades para manter os pagamentos em dia. O cenário é ainda mais preocupante entre consumidores de menor renda, que possuem menor capacidade de absorver aumentos no custo de vida ou imprevistos financeiros.
Outro dado que chama atenção é o comprometimento da renda familiar com dívidas. Segundo o estudo, esse indicador atingiu 19% das famílias, o maior patamar registrado desde março de 2024. O percentual demonstra que uma parcela crescente dos brasileiros destina parte relevante dos seus rendimentos ao pagamento de financiamentos, empréstimos e outras obrigações de crédito.
Para a CNC, os números revelam que, apesar dos sinais de recuperação gradual da atividade econômica, a situação financeira das famílias ainda inspira cautela. A entidade destaca que a melhora da economia, por si só, não tem sido suficiente para aliviar o peso das dívidas acumuladas, especialmente diante do elevado custo do crédito.
Especialistas ouvidos pela confederação atribuem o cenário à combinação de juros elevados, inflação sobre produtos essenciais e crescimento insuficiente da renda real. Esse conjunto de fatores reduz a capacidade de consumo, aumenta a necessidade de financiamento e dificulta a reorganização financeira dos consumidores.
A expectativa da CNC é que o nível de endividamento permaneça elevado enquanto não houver uma redução consistente do custo do crédito e um fortalecimento da renda das famílias. Segundo a entidade, a manutenção desse cenário pode continuar limitando o consumo das famílias e influenciar o ritmo de crescimento da economia brasileira nos próximos meses.
Via: Metrópoles
Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.


