Espanholas e EDP levam todos os 8 lotes de leilão de transmissão de R$ 8,9 bi
Com deságio médio de 50% sobre o teto de receita, o leilão da Aneel atraiu 15 participantes para 1.866 km de novas linhas em 7 estados — mas nenhuma transmissora brasileira tradicional, como Taesa ou Copel, venceu um único lote
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O que muda: Empresas de construção e engenharia elétrica nos estados contemplados (Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia, São Paulo) têm nos próximos 42 a 60 meses uma janela concreta de contratação para a implantação das novas linhas. Ver o que fazer

Contexto
A Aneel leiloou, em 30 de outubro, 8 lotes de transmissão de energia na B3, com investimentos previstos de R$ 8,9 bilhões, segundo reportagem do NeoFeed. Empresas espanholas arremataram 7 dos 8 lotes, somando R$ 8,6 bilhões, e a portuguesa EDP levou o lote restante — uma combinação ibérica completa no resultado final do leilão.
O que está em jogo
O leilão teve 15 participantes disputando os 8 lotes, com 5 vencedores distintos e deságio médio ponderado de 50,10% sobre o teto de Receita Anual Permitida (RAP) — ou seja, as empresas vencedoras se comprometeram a receber, em média, metade do valor máximo que a Aneel autorizava cobrar pela operação das linhas. A receita anual total contratada ficou em R$ 811 milhões, frente a um teto regulatório de R$ 1,625 bilhão. O deságio variou de 38,55% (lote 7, vencido pela Neoenergia) a 57,08% (lote 3, vencido pela Cymi).
Os projetos somam 1.866 km de novas linhas de transmissão de alta tensão — estruturas que levam energia das regiões geradoras até os centros de consumo —, além da continuidade operacional de 483 km de linhas já existentes, distribuídas por Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. O foco declarado é reforçar o Sistema Interligado Nacional (SIN).
Como isso funciona
A Celeo, espanhola, levou os lotes 4 e 8, somando R$ 4,9 bilhões em investimento previsto — o maior deles, de R$ 4,1 bilhões, liga os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás. A Cymi, também espanhola, arrematou os lotes 3 e 5 (R$ 2,1 bilhões), com projetos em São Paulo e na região metropolitana de Curitiba. A Neoenergia, espanhola controlada pela Iberdrola, venceu os lotes 1 (Bahia, disputado com a Tradetek em 150 ofertas) e 7 (Paraíba), somando R$ 1,2 bilhão. A Cox, espanhola, ficou com o lote 6 (R$ 480,3 milhões), reforçando o atendimento ao oeste e sudoeste do Paraná. A EDP, portuguesa, venceu o lote 2 (R$ 317 milhões), que liga Bahia e Goiás — foi o lote com mais inscritos, dez ao todo.
Entre as empresas que disputaram e não venceram nenhum lote estão a espanhola Axia (presente nos 8 lotes), além de companhias brasileiras como Alupar, FIP Warehouse (ligado ao BTG Pactual), Tradetek, Argo, Zopone, Rialma, Brennand e um consórcio batizado Confiança. Segundo o consultor William Akira Kay, da Envol Energy Consulting, transmissoras tradicionais do setor elétrico brasileiro, como ISA Energia, Taesa e Copel, já haviam sinalizado ausência ou menor interesse neste leilão específico.
As concessões valem por 30 anos, com prazo de implantação entre 42 e 60 meses após a assinatura dos contratos. A Aneel estima economia de R$ 21 bilhões para os consumidores de energia ao longo da vigência das concessões, decorrente justamente do desconto apresentado pelas vencedoras em relação ao teto de receita.
Análise VEXIA
O dado mais relevante deste leilão, para quem acompanha o setor de infraestrutura no Brasil, não é o valor total investido, mas a composição dos vencedores: a ausência total de transmissoras brasileiras tradicionais entre os ganhadores — enquanto empresas espanholas dominaram 7 dos 8 lotes — sinaliza uma mudança na correlação de forças competitivas do setor. Grupos ibéricos como Iberdrola (controladora da Neoenergia) têm acesso a capital mais barato em seus mercados de origem e já operam em escala global em transmissão, o que lhes permite sustentar deságios maiores do que concorrentes brasileiros que precisam captar a custos domésticos — ainda mais relevante num momento em que a Selic segue em patamar elevado e o Itaú já não vê mais cortes no curto prazo.
O deságio médio de 50% sobre o teto de receita, embora alto, foi descrito pelo secretário de Leilões da Aneel, Ivo Sechi, como "dentro da média histórica" — uma leitura que contrasta com a percepção inicial de que descontos dessa magnitude poderiam indicar risco de inviabilidade financeira dos projetos. A fala de Sechi de que "os contratos são longos e vão acomodar essas oscilações momentâneas" é reveladora: sugere que o regulador está mais preocupado em garantir competitividade e redução de custo para o consumidor do que em questionar a sustentabilidade financeira de propostas agressivas — uma aposta que só será testada ao longo dos 30 anos de concessão.
A declaração do CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui Saiz, de que "nosso objetivo não é ganhar projetos, é gerar valor para a Neoenergia", é um indicador relevante de disciplina de capital: sugere que a empresa precificou os lotes vencidos considerando sinergias operacionais já existentes na região (a presença da Coelba na Bahia, citada na reportagem), não apenas o desejo de ganhar volume a qualquer desconto — uma diferença estratégica importante em relação a competidores que podem ter ofertado descontos maiores apenas para vencer.
O que muda na prática
- Consumidores de energia elétrica devem se beneficiar, ao longo de 30 anos, da economia estimada de R$ 21 bilhões decorrente do deságio apresentado pelas vencedoras — efeito que se dilui ao longo do tempo e das regiões atendidas.
- Transmissoras brasileiras tradicionais (Taesa, ISA Energia, Copel) precisam reavaliar sua estratégia de participação em leilões futuros diante da demonstrada disposição de grupos ibéricos de operar com margens mais apertadas.
- Empresas de construção e engenharia elétrica nos estados contemplados (Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia, São Paulo) têm nos próximos 42 a 60 meses uma janela concreta de contratação para a implantação das novas linhas.
- Investidores em infraestrutura de energia devem acompanhar os três leilões de transmissão programados pela Aneel para 2027 — um em abril e dois no segundo semestre —, com carteira que pode superar R$ 50 bilhões, incluindo um projeto de corrente contínua de cerca de R$ 30 bilhões para escoar energia solar e eólica do Nordeste.
Cenários e próximos passos
A assinatura dos contratos de concessão é o próximo marco formal, a partir do qual começa a contar o prazo de implantação de 42 a 60 meses. Os três leilões de transmissão programados pela Aneel para 2027 devem indicar se o padrão de domínio de grupos ibéricos observado neste leilão se repete, ou se transmissoras brasileiras tradicionais retornam com propostas mais competitivas diante de um cenário de juros eventualmente mais baixo.
Fontes
Como esta matéria foi feita. A redação da VEXIA usou inteligência artificial para reunir e organizar fontes públicas (dados oficiais, empresas e imprensa especializada), e revisou o texto antes de publicar. As fontes estão citadas ao fim da matéria.
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