Vorcaro nega fraude em operações Master-BRB e pede revogação da prisão
Defesa chama negócios de "absolutamente lícitos" e diz que rombo de R$ 12 bilhões apontado pela PF não existe; investigação apura repasse de R$ 12,2 bilhões do BRB ao Master entre janeiro e maio de 2025

A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, negou à Polícia Federal, nesta quarta-feira (15/10), qualquer fraude nas operações entre o banco e o BRB (Banco de Brasília) e pediu a revogação da prisão preventiva do banqueiro. Foi o terceiro depoimento de Vorcaro no inquérito que investiga a crise do Master.
O que diz a defesa
Os advogados de Vorcaro classificaram as operações entre Master e BRB como "negócios absolutamente lícitos" e afirmaram que elas não causaram nenhum prejuízo ao BRB ou aos clientes do banco público — pelo contrário, teriam produzido resultados positivos para a instituição. Segundo a defesa, a suposta fraude de R$ 12 bilhões apontada pela Polícia Federal simplesmente "não existe", e a operação envolvendo a carteira batizada de Tirreno nunca chegou a se completar.
A defesa disse ainda que Vorcaro respondeu a todas as perguntas feitas nesse terceiro depoimento, e anunciou que vai apresentar uma contestação na esfera cível e pedir uma perícia independente sobre as operações.
Por que pedem a soltura
O argumento da defesa é que não há provas de irregularidade e que Vorcaro deveria poder responder ao processo em liberdade, o que, segundo eles, facilitaria a continuidade da colaboração dele com a Justiça. Os advogados atribuem à própria deflagração da operação que investiga o caso a origem da crise de reputação enfrentada pelo BRB.
O que a investigação apura
Segundo a Polícia Federal, o BRB transferiu cerca de R$ 12,2 bilhões ao Master entre janeiro e maio de 2025, como parte da compra de carteiras de crédito que a PF classifica como fraudulentas. Essas carteiras teriam sido originadas por uma empresa chamada Tirreno, que, de acordo com os investigadores, não tinha histórico financeiro compatível com o volume das operações. A PF afirma que o Master revendeu essas carteiras ao BRB justamente num momento em que enfrentava uma crise de liquidez interna.
As operações são investigadas pela Operação Compliance Zero, que apura a emissão de títulos de crédito falsos e outros crimes, como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
Por que o caso continua relevante
O episódio Master-BRB é um dos fios da crise bancária que já derrubou o relator original do caso no STF, Dias Toffoli, gerou uma onda de citações a outros ministros da Corte em relatórios da PF e, só ontem, levou à rejeição na Câmara de um projeto que criaria um novo regime de liquidação bancária — justamente a resposta legislativa que o Congresso tentava dar ao episódio. A versão da defesa de Vorcaro, de que não houve fraude nem prejuízo ao BRB, contraria diretamente a tese da Polícia Federal, e cabe agora à Justiça avaliar qual delas prevalece.
O tamanho do rombo em disputa
O caso Master é hoje uma das maiores crises bancárias do país desde a liquidação de instituições menores na década passada. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025, no mesmo dia em que a PF deflagrou a Operação Compliance Zero. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre depósitos até um determinado limite por cliente, já iniciou o ressarcimento de credores do Master, num valor que soma dezenas de bilhões de reais — a exata extensão do prejuízo, porém, segue em disputa entre a PF e a defesa de Vorcaro, que nega qualquer fraude e qualquer rombo nas contas.
Fontes
- https://www.cnnbrasil.com.br/politica/vorcaro-nega-a-pf-fraude-em-operacoes-master-brb-e-pede-revogacao-da-prisao/
Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.


