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Goldman e Morgan Stanley cortam projeções de Usiminas e CSN antes da temporada de balanços

Os dois bancos citam custos mais altos, demanda doméstica fraca e dificuldade de repassar preços; Gerdau é a exceção, defendida como aposta defensiva do setor

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VEXIA
Publicado em · 5 min de leitura
Goldman e Morgan Stanley cortam projeções de Usiminas e CSN antes da temporada de balanços

Com a temporada de balanços do terceiro trimestre se aproximando, o Goldman Sachs e o Morgan Stanley reduziram projeções para a Usiminas e a CSN, duas das principais siderúrgicas brasileiras, em relatórios publicados nesta semana. A exceção foi a Gerdau, que teve estimativas elevadas e foi apontada pelos dois bancos como a aposta mais defensiva do setor.

Contexto

A siderurgia e a mineração brasileiras entram na temporada de resultados do terceiro trimestre sob um cenário de cautela elevada entre os grandes bancos de investimento. Segundo o Goldman Sachs, os principais fatores por trás da revisão são custos de matéria-prima mais altos, demanda doméstica moderada e dificuldade das empresas de repassar aumentos de preço do aço ao mercado interno. O Morgan Stanley, em linha semelhante, espera que o terceiro trimestre mostre pressão sobre as margens da maioria das siderúrgicas brasileiras, refletindo demanda doméstica fraca e custos pressionados que os preços atuais do aço não conseguem compensar.

O que está em jogo

O Goldman Sachs cortou a estimativa de Ebitda da Usiminas em 12% para 2026 e 34% para 2027, por conta de preços mais baixos do aço e custos maiores de matérias-primas, e reduziu o preço-alvo da ação (USIM5) de R$ 10,00 para R$ 8,60, mantendo a recomendação de compra. Para a CSN (CSNA3), o corte foi de 12% no Ebitda de 2026 e 17% em 2027, com o preço-alvo caindo de R$ 4,30 para R$ 4,00 — o banco manteve a recomendação de venda para o papel. Já a CSN Mineração (CMIN3) teve o Ebitda reduzido em 24% para 2026 e 11% para 2027, por preços realizados mais fracos do minério de ferro e fretes mais caros, mas o preço-alvo subiu de R$ 3,80 para R$ 3,90, refletindo uma visão mais construtiva do banco para o minério de ferro a partir de 2027.

A Gerdau (GGBR4) foi a única exceção entre as siderúrgicas cobertas: o Goldman elevou o Ebitda esperado em 4% para 2027 e 16% para 2028, beneficiado pela exposição da empresa ao mercado americano, e subiu o preço-alvo de R$ 27 para R$ 29, mantendo recomendação neutra.

Para o terceiro trimestre especificamente, o Goldman projeta Ebitda de R$ 3,76 bilhões para a Gerdau (alta de 10% ante o trimestre anterior), R$ 629 milhões para a Usiminas (queda de 9%), R$ 1,92 bilhão para a CSN (queda de 31%) e R$ 346 milhões para a CSN Mineração (queda de 66%) — uma diferença de magnitude que evidencia o quanto a Gerdau está descolada do restante do setor neste ciclo.

Como isso funciona

O Morgan Stanley reforça essa leitura: considera a Usiminas uma das empresas mais expostas à compressão de margens no curto prazo, e vê a CSN enfrentando problemas simultâneos nos negócios de aço e de mineração — uma combinação que amplia o risco em relação a concorrentes com operação mais concentrada em um único segmento. A Gerdau, segundo o banco, é a mais defensiva do setor, com margem Ebitda em torno de 19%, acima das demais siderúrgicas brasileiras — um colchão que ajuda a amortecer o mesmo cenário de demanda fraca e custos pressionados que afeta as concorrentes.

Os dois bancos citam fatores que podem mudar esse quadro a partir de 2027: queda das importações de aço, possíveis medidas antidumping contra produtos asiáticos e uma recuperação gradual dos spreads domésticos (a diferença entre o preço de venda do aço e o custo das matérias-primas). Mas a recuperação da rentabilidade de Usiminas e CSN, segundo as próprias casas, depende de uma recuperação mais consistente dos preços do aço — algo que não está garantido pelo calendário, apenas sinalizado como possível.

Análise VEXIA

O que diferencia a Gerdau das demais siderúrgicas brasileiras neste ciclo não é operar em um setor diferente — é a composição geográfica da receita. A exposição ao mercado americano, hoje protegido por tarifas sobre o aço importado, funciona como um amortecedor que Usiminas e CSN, mais concentradas no mercado doméstico, não têm. Isso ajuda a explicar por que os mesmos fatores macro — demanda fraca, custo de matéria-prima em alta — produzem efeitos tão diferentes entre empresas do mesmo setor: a origem da receita importa tanto quanto o produto vendido.

Para quem administra uma empresa que depende de aço como insumo — da construção civil à indústria automotiva e de bens de capital — a leitura possível desses relatórios é dupla. De um lado, a dificuldade das siderúrgicas de repassar preços ao mercado doméstico, citada pelo Goldman, sugere que o custo do aço não deve subir de forma abrupta no curto prazo, o que é uma boa notícia para quem compra o insumo. De outro, a mesma pressão sobre margens que afeta as siderúrgicas é, em geral, sintoma de uma demanda industrial doméstica mais fraca — o que tende a refletir também no ritmo de atividade de setores que dependem de aço, não apenas no preço que pagam por ele.

Vale notar que recomendações de bancos de investimento são projeções, não certezas — tanto o Goldman quanto o Morgan Stanley condicionam a recuperação do setor a variáveis que ainda não se confirmaram, como medidas antidumping e a evolução dos spreads domésticos a partir de 2027. O investidor e o gestor que acompanham o setor devem tratar esses números como cenário-base sujeito a revisão, não como garantia — a própria diferença entre as previsões de Ebitda do terceiro trimestre (de queda de 66% na CSN Mineração a alta de 10% na Gerdau) mostra como a dispersão de resultados dentro de um mesmo setor pode ser maior do que a média do setor sugere.

O que muda na prática

  • Empresas compradoras de aço (construção civil, bens de capital, indústria automotiva) podem esperar preços domésticos relativamente contidos no curto prazo, dado que as próprias siderúrgicas relatam dificuldade de repassar aumentos ao mercado interno.
  • Investidores com exposição ao setor siderúrgico devem considerar a composição geográfica da receita de cada empresa, não só o setor como um todo — a diferença entre Gerdau e as demais neste ciclo decorre majoritariamente da exposição ao mercado americano.
  • Gestores financeiros de siderúrgicas e mineradoras domésticas enfrentam um trimestre de margem mais apertada; projeções de Ebitda em queda de até 66% (CSN Mineração) no 3T reforçam a importância de rever premissas de caixa de curto prazo.
  • Fornecedores e parceiros comerciais do setor devem monitorar a temporada de balanços do 3T, que começa a ser divulgada nas próximas semanas, como teste real das projeções dos bancos.

Cenários e próximos passos

A confirmação (ou não) dessas projeções vem com a divulgação dos balanços do terceiro trimestre das próprias companhias, esperada para as próximas semanas. A partir daí, o mercado terá dados concretos para avaliar se o cenário de pressão sobre margens citado por Goldman e Morgan Stanley se confirma na prática ou se accelerações de preço do aço, movimentos de proteção comercial ou variações no câmbio alteram o quadro projetado pelos dois bancos para o restante de 2026 e para 2027.

Fontes

  • https://www.infomoney.com.br/mercados/goldman-corta-projecoes-de-usiminas-e-csn-antes-do-3t-morgan-ve-margens-sob-pressao/
Nota de transparência

Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.

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