iFood Benefícios compra a Caju e dobra presença no mercado de benefícios de R$ 150 bilhões
Acordo, que depende de aprovação do Cade e do Banco Central, une duas startups que juntas somam mais de 135 mil empresas clientes e disputam espaço com Ticket, Alelo, Pluxee e VR, que hoje controlam mais de 80% do setor

O iFood Benefícios, braço de benefícios corporativos do iFood controlado pela holandesa Prosus, fechou acordo para comprar 100% da Caju, startup brasileira de cartões de benefícios, despesas corporativas e gestão de pessoas. O negócio, comunicado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nesta semana, ainda depende de aprovação do órgão antitruste e do Banco Central.
Contexto
O valor da transação não foi confirmado oficialmente por nenhuma das empresas. Segundo apuração do NeoFeed, o negócio supera R$ 1,2 bilhão; já o jornal O Globo, citado pelo InfoMoney, fala em R$ 1 bilhão. Até a conclusão da operação, as duas companhias seguem operando de forma independente. Os fundos que hoje detêm participação na Caju — Volpe Capital, Caravela Capital, Valor Capital Group, Canary e K1 Investment Management — venderão suas posições, enquanto os fundadores Eduardo Del Giglio e Renan Mendes têm incentivos contratuais para permanecer à frente da operação após a venda.
A Caju foi criada em 2020 e oferece um cartão com bandeira Visa que reúne diferentes tipos de benefício num só produto. Em agosto de 2022, a empresa captou uma rodada de US$ 25 milhões liderada pela K1 Investment Management, com participação de outros fundos. Hoje, soma mais de 70 mil empresas clientes e o cartão é aceito em mais de 12 milhões de estabelecimentos. Já o iFood Benefícios atende 65 mil empresas e 1,7 milhão de usuários diretos, dentro de uma rede de mais de 500 mil estabelecimentos parceiros espalhados por mais de 2.000 cidades.
O que está em jogo
Somadas, as duas operações chegam a cerca de 3 milhões de usuários antes de eventuais sobreposições de clientela — um volume que, segundo o NeoFeed, dobra a presença do iFood no mercado de benefícios corporativos. O setor movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano no Brasil e atende mais de 22 milhões de trabalhadores em cerca de 470 mil empresas, segundo o InfoMoney.
Esse mercado é historicamente dominado por poucos grupos: Ticket (controlada pelo Itaú), Alelo (Bradesco e Banco do Brasil) e Pluxee — antiga Sodexo, hoje ligada ao Santander — somadas à VR, respondem por mais de 80% do setor. A entrada de players digitais como Caju e iFood Benefícios faz parte de uma onda mais recente de disputa por esse mercado concentrado: o C6 Bank comprou a Alymente no início de setembro, o BTG Pactual passou a atuar no segmento, a startup Flash captou R$ 150 milhões numa rodada liderada pela Battery Ventures (depois de já ter levantado mais de R$ 800 milhões antes), e a Raiô — fundada pelo ex-CEO da GetNet, José Renato Hopf — está em fase de expansão nacional.
Como isso funciona
A aquisição não é a primeira tentativa do iFood de crescer por aquisição nesse mercado: uma aproximação anterior com a própria Caju não avançou, e a empresa também já havia buscado a Alelo, negociação que esbarrou em mudanças nas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) — reformas recentes que, segundo o InfoMoney, reduziram barreiras de entrada no setor, entre elas a limitação de 3,6% nas taxas cobradas dos estabelecimentos e a abertura dos arranjos de pagamento a mais participantes.
Em comunicado, Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios, disse que a união deve acelerar a transformação do setor: “Repensamos a cadeia de valor do benefício, e os pontos de partida foram o restaurante e o trabalhador.” Eduardo Del Giglio, CEO e cofundador da Caju, afirmou que o objetivo é “oferecer o melhor ecossistema para o RH e o melhor produto para o colaborador”.
A compra se insere num plano maior de investimento do iFood: segundo o NeoFeed, a empresa prevê aportar R$ 24 bilhões até março de 2027 em diferentes frentes do negócio — dos quais a expansão em benefícios corporativos é apenas uma parte.
Análise VEXIA
A disputa pelo mercado de benefícios corporativos ilustra um padrão que já apareceu em outros setores financeiros nos últimos anos: um mercado concentrado e protegido por décadas de relacionamento bancário (Ticket, Alelo e Pluxee vêm, cada uma, de grandes conglomerados financeiros) sendo pressionado por entrantes digitais que crescem rápido com capital de risco até o ponto em que a consolidação se torna inevitável — seja pela compra de um entrante por um incumbente, seja, como neste caso, pela fusão entre dois entrantes para ganhar escala suficiente e competir de igual para igual.
A mudança regulatória do PAT citada no texto — redução da taxa máxima cobrada de estabelecimentos e abertura dos arranjos de pagamento — é o tipo de ajuste técnico que raramente vira manchete, mas que determina, na prática, se um mercado concentrado se abre ou não à concorrência. Vale a pena, para qualquer empresa que acompanha de perto a regulação do próprio setor, notar como uma mudança de regra aparentemente pequena pode detonar uma onda inteira de consolidação alguns anos depois — o padrão descrito aqui (barreira regulatória cai, entrantes digitais multiplicam, consolidação por aquisição se torna necessária para sobreviver) tende a se repetir em outros mercados regulados do Brasil.
Para empresas clientes de Caju ou iFood Benefícios, a pergunta mais prática — se os termos de contrato, taxas ou o cartão físico vão mudar após a fusão — ainda não tem resposta nas fontes disponíveis: as duas empresas seguem operando de forma independente até a aprovação regulatória, e nenhuma das duas comunicou, até a publicação deste texto, um plano de integração operacional.
O que muda na prática
- Empresas clientes da Caju ou do iFood Benefícios não têm, por ora, nenhuma mudança contratual confirmada — as operações seguem independentes até a aprovação do Cade e do Banco Central.
- Gestores de RH que avaliam fornecedores de benefícios devem acompanhar o desfecho da aprovação regulatória antes de tomar decisões de troca de fornecedor baseadas só no anúncio da fusão.
- Concorrentes menores no setor (Flash, Raiô, BTG) ganham um incentivo a mais para buscar parcerias ou funding adicional, diante de um mercado que caminha para menos players com mais escala.
- Empresas de outros setores regulados podem observar no caso um padrão replicável: mudança regulatória que reduz barreira de entrada tende a ser seguida, alguns anos depois, por uma onda de consolidação entre os novos entrantes.
Cenários e próximos passos
O desfecho da operação depende da análise do Cade e do Banco Central, sem prazo definido nas fontes disponíveis. Até lá, iFood Benefícios e Caju seguem como empresas separadas, atendendo seus clientes atuais sem mudança de contrato. O mercado de benefícios corporativos, enquanto isso, segue em movimento — com C6/Alymente, BTG, Flash e Raiô disputando espaço num setor que vive, ao mesmo tempo, consolidação no topo (como neste negócio) e novos entrantes na base.
Fontes
- https://neofeed.com.br/startups/ifood-beneficios-compra-caju-por-mais-de-r-12-bilhao/
- https://www.infomoney.com.br/business/ifood-beneficios-compra-caju-e-acelera-transformacao-de-mercado-de-r-150-bilhoes/
Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.


