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O xadrez dos CEOs para equilibrar as contas com o fim da escala 6x1

De farmácias a hospitais, empresas testam escalas alternativas, automação e revisão de horário para absorver uma mudança que pode elevar a folha de pagamento em até 12% em alguns setores, segundo estimativas citadas por executivos

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VEXIA
Publicado em · 6 min de leitura
O xadrez dos CEOs para equilibrar as contas com o fim da escala 6x1

Com a jornada semanal caindo de 44 para 40 horas — mudança aprovada pelo Congresso, que garante dois dias de descanso remunerado sem corte de salário —, cerca de 14,9 milhões de trabalhadores hoje na escala 6x1 forçam empresas de setores tão diferentes quanto farmácias, fast-food, hospitais e varejo de moda a repensar escalas, automação e até horário de funcionamento. A nova jornada de 40 horas precisa estar valendo até dezembro de 2027.

Contexto

O impacto varia conforme o setor, mas aparece em praticamente todos os levantamentos citados por executivos: segundo a consultoria FGV-Ibre, o custo de mão de obra pode subir até 20%, com o PIB recuando até 2,9% no cenário mais adverso. O Banco Safra estima que a pressão sobre custos no setor de saúde pode chegar a 10% da folha exposta à mudança. Hoje, a jornada semanal média já gira em torno de 43 horas no varejo e 43,4 horas no transporte, segundo a FGV-Ibre — ou seja, a folga entre a jornada atual e o novo limite de 40 horas é pequena, o que deixa pouca margem de ajuste sem custo adicional real.

O que está em jogo

Na rede de farmácias Pague Menos, que soma 1.700 lojas e 28 mil funcionários, o CEO Jonas Marques resume o desafio: “Essa não é uma mudança banal. A gente está falando de pessoas.” A empresa testa novos formatos de turno, revisa escalas e já contrata mais gente — além de estudar se reduz o número de lojas que funcionam 24 horas, já que cada unidade aberta precisa ter um farmacêutico presente durante todo o funcionamento. “Tenho necessidade de arrumar as escalas e de contratar mais pessoas”, diz Marques.

Na rede de fast-food Giraffas, com 400 lojas, a conta é direta: manter o modelo tradicional de cinco dias de trabalho por dois de folga (5x2) sob a nova jornada elevaria a folha em cerca de 12%, com impacto de 2% a 2,5% sobre a receita. A alternativa em estudo é o modelo 12x36 — 12 horas trabalhadas por 36 de descanso —, que já cobre 20% da rede e mantém os domingos livres; nesse formato, o aumento da folha cai para cerca de 5%.

A Resolv, empresa de facilities que atende hospitais, segurança e alimentação corporativa, com cerca de 10 mil funcionários e mais de 500 clientes, negocia caso a caso: ou atende o cliente com menos gente na escala, ou amplia o time para manter o nível de serviço. Segundo a empresa, o quadro precisaria crescer entre 7% e 10%, com impacto de custo de cerca de 7% — que a Resolv diz não pretender repassar aos clientes. A empresa também já investe em robôs para higienização hospitalar e avalia o uso de drones em segurança, como forma de compensar parte do aumento de custo com produtividade.

Como isso funciona

No varejo de moda, duas redes ouvidas pela reportagem adotam estratégias opostas. Uma rede com centros de distribuição revisa escalas e pode ampliar o quadro em até 10% até que a automação avance — simultaneamente, pretende expandir o autoatendimento (self-checkout) de 10% para 60-70% das lojas, uma mudança estrutural na experiência de compra motivada, pelo menos em parte, pela pressão de custo da nova jornada. Outra rede, maior, com mais de 100 lojas e 1.000 funcionários, afirma que não vai demitir nem contratar inicialmente — a estratégia é reorganizar escalas com menos gente por loja, investir em treinamento, criar um aplicativo de vendas para a equipe e migrar parte da operação para vendas on-line. Uma fonte anônima dessa rede resume a dificuldade do prazo: “Não tem como fazer isso em 60 dias.”

O setor de varejo alimentar segue um caminho semelhante: investimento em tecnologia, testes com escalas 4x3 e 12x36, e possível redução no horário de funcionamento das lojas. Já a Petrobras — com cerca de 50 mil funcionários diretos e quase 130 mil terceirizados — soma-se à lista de grandes empregadores que precisam equacionar a mudança numa escala de operação consideravelmente maior que a de qualquer rede de varejo.

Análise VEXIA

O que separa as empresas que já têm um plano claro (Pague Menos, Giraffas, Resolv) das que ainda estão “correndo contra o prazo” (a rede de moda que diz não ser possível resolver isso em 60 dias) parece ser menos o tamanho da empresa e mais o quanto a operação já dependia de escalas rígidas de presença física. Farmácias e hospitais, que precisam de profissionais habilitados presentes (farmacêutico, equipe de saúde), têm menos alternativas de automação imediata e por isso tendem a resolver o problema contratando mais gente — o que eleva custo de forma mais direta. Já operações de varejo com forte componente de distribuição e checkout têm uma rota alternativa mais clara: investir em self-checkout e automação de centro de distribuição, trocando custo de mão de obra recorrente por investimento de capital em tecnologia.

A diferença de impacto por modelo de escala — 12% a mais de folha no modelo 5x2 contra 5% no 12x36, segundo a conta da Giraffas — é um dado relevante para qualquer empresa que ainda não revisou seu modelo de turno: a decisão de qual escala adotar pode valer, sozinha, uma diferença de vários pontos percentuais na folha de pagamento, antes mesmo de qualquer corte de vaga ou investimento em automação. Vale notar que o modelo 12x36, apesar de mais barato nessa conta, tem limitações regulatórias e de saúde ocupacional (jornadas de 12 horas seguidas) que não aparecem detalhadas nesta reportagem, e que cada empresa precisa avaliar com seu próprio departamento jurídico antes de adotar.

A leitura possível para o empreendedor de pequeno ou médio porte, que não tem o caixa de uma Pague Menos ou de uma Petrobras para testar múltiplos formatos de escala em paralelo, é que o prazo até dezembro de 2027 — que parece longo — já está sendo tratado como apertado pelas próprias grandes empresas citadas na reportagem. Começar o diagnóstico de impacto agora, mesmo sem capacidade de investir pesado em automação, dá tempo de ao menos revisar o modelo de escala antes que o prazo vire urgência.

O que muda na prática

  • Calcule o impacto da escala 12x36 versus o modelo 5x2 tradicional para sua operação — a diferença de custo entre os dois formatos, segundo o exemplo da Giraffas, pode ser de mais do dobro (12% contra 5% de aumento de folha).
  • Se sua operação depende de profissional habilitado presente (farmacêutico, técnico de saúde, segurança), avalie reduzir o horário de funcionamento de unidades 24h em vez de multiplicar o quadro proporcionalmente — a Pague Menos está estudando exatamente essa alternativa.
  • Avalie self-checkout e automação de centro de distribuição como rota de redução de dependência de mão de obra direta, especialmente se sua operação é de varejo com alto volume de transações simples.
  • Não espere o prazo de dezembro de 2027 parecer próximo para agir — redes grandes com mais recursos já descrevem o cronograma como apertado; para negócios menores, a vantagem de começar cedo é ainda maior.

Cenários e próximos passos

A nova jornada de 40 horas precisa estar implementada até dezembro de 2027, com empresas de setores regulados (saúde, farmácia) sentindo a pressão de custo já a partir do fim de 2026, segundo a reportagem. Nos próximos meses, o mercado deve acompanhar se os formatos alternativos de escala citados — 12x36, 4x3 — se consolidam como padrão em mais setores, e se a expansão de automação e self-checkout no varejo, motivada em parte por essa mudança trabalhista, se mantém mesmo depois que as empresas já tiverem absorvido o choque inicial de custo.

Fontes

  • https://neofeed.com.br/negocios/o-xadrez-dos-ceos-para-equilibrar-as-contas-com-o-fim-da-escala-6x1/
Nota de transparência

Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.

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