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BTG aposta em stablecoins para criar um "Pix internacional" em até 5 anos

O banco já tokeniza cotas de fundos em parceria com a Ripple e vê nas moedas digitais atreladas ao dólar o mesmo tipo de salto que o Pix deu nos pagamentos domésticos — mas reconhece que bancos terão de abrir mão de receita de modelos tradicionais pelo caminho

Produzido com apoio de IA, revisado pela redação. Como trabalhamos

O que muda: Empresas com operação internacional e alto volume de remessas devem acompanhar o desenvolvimento de infraestrutura de stablecoins como possível alternativa de menor custo às transferências internacionais tradicionais, ainda que sem prazo definido de disponibilidade no Brasil. Ver o que fazer

Contexto

O BTG Pactual enxerga nas stablecoins — moedas digitais geralmente atreladas ao dólar — o potencial de fazer pelas transferências internacionais o que o Pix fez pelos pagamentos domésticos no Brasil, segundo reportagem do NeoFeed. A tese foi apresentada por André Portilho, head de ativos digitais do banco: tornar transferências entre países tão simples para o cliente quanto uma transação via Pix já é hoje.

Não se trata de um produto lançado com nome e funcionamento definidos — é uma tese de investimento e desenvolvimento do banco sobre para onde a infraestrutura de pagamentos globais está caminhando, não um serviço disponível ao mercado neste momento.

O que está em jogo

Segundo Portilho, a adoção das stablecoins em escala depende de três forças que, segundo ele, "agora estão se juntando": amadurecimento tecnológico, regulação que permita a participação de grandes bancos nesse mercado, e educação sobre o tema dentro das próprias instituições financeiras. Para ele, a tecnologia pode ganhar escala relevante em um prazo de três a cinco anos.

O executivo reconhece um ponto sensível para o modelo de negócio bancário tradicional: os bancos podem precisar abrir mão de parte da receita que hoje vem de modelos convencionais de pagamento internacional, à medida que a tecnologia reduz a dependência de intermediários nessas transações. Ainda assim, ele avalia que os bancos brasileiros têm "muito mais a ganhar do que a perder", porque poderiam desenvolver novas fontes de receita sobre a infraestrutura que vier a substituir o modelo atual.

Como isso funciona

O BTG atua com ativos digitais desde 2017, inicialmente com arbitragem de criptomoedas, e avançou depois para blockchain e tokenização de ativos financeiros — processo de representar um ativo financeiro tradicional (como uma cota de fundo) em um registro digital numa blockchain. Em parceria com a Ripple (empresa de tecnologia financeira) e a CSD BR (central depositária autorizada a registrar, depositar e liquidar ativos financeiros no Brasil, com mais de R$ 22 trilhões em ativos registrados), o BTG está na primeira fase de um projeto que tokeniza cotas de fundos do banco depositadas na CSD BR, com registros espelhados na blockchain pública XRP Ledger, usada como camada de consulta e auditoria.

Se essa primeira fase for validada, a parceria pode avançar para a emissão de ativos diretamente em blockchain e negociação entre participantes autorizados, incluindo CRIs e CRAs (títulos de crédito imobiliário e do agronegócio). Markus Infanger, vice-presidente da RippleX, reforça que a proposta não é substituir bancos e estruturas financeiras tradicionais, mas se integrar a elas, respeitando as regras do sistema atual.

Análise VEXIA

O paralelo com o Pix, usado pelo próprio BTG para explicar a tese, é instrutivo mas também merece ressalva: o Pix se tornou um caso de sucesso global porque foi criado, regulado e operado pelo Banco Central do Brasil, com adesão obrigatória das instituições financeiras — um modelo centralizado e estatal. As stablecoins, por outro lado, dependem de regulação ainda em construção em praticamente todas as jurisdições relevantes, incluindo o Brasil, e de adoção voluntária por parte de bancos que, como o próprio Portilho reconhece, têm incentivo financeiro para resistir a uma tecnologia que reduz sua margem em pagamentos internacionais. O prazo de três a cinco anos citado pelo executivo reflete essa diferença: não é uma mudança de infraestrutura decretada por um regulador, mas uma transição que depende de maturação regulatória e adesão gradual do mercado.

O investimento do BTG em tokenização de fundos via CSD BR e XRP Ledger, ainda em fase inicial, é um movimento estratégico mais defensivo do que ofensivo: bancos de investimento que não desenvolverem competência própria em ativos tokenizados correm o risco de ficar dependentes de infraestrutura de terceiros quando — e se — a tecnologia de fato ganhar escala. Nesse sentido, faz sentido que o BTG descreva a tokenização como uma aposta de médio prazo com baixo custo de oportunidade: o banco segue operando seu negócio tradicional normalmente enquanto testa a nova tecnologia em paralelo, numa escala ainda pequena frente aos R$ 930 bilhões em ativos totais do banco ao fim de junho de 2026.

Para empresas brasileiras com operação internacional, o tema vale acompanhar menos pelo horizonte de três a cinco anos projetado pelo BTG e mais como indicador de tendência: se grandes bancos de investimento já tratam a tokenização e as stablecoins como caminho provável, não hipótese remota, isso é um sinal de que a conversa sobre custo e velocidade de transferências internacionais deve mudar de patamar nos próximos anos, mesmo que o ritmo exato da adoção ainda seja incerto.

O que muda na prática

  • Empresas com operação internacional e alto volume de remessas devem acompanhar o desenvolvimento de infraestrutura de stablecoins como possível alternativa de menor custo às transferências internacionais tradicionais, ainda que sem prazo definido de disponibilidade no Brasil.
  • Bancos de investimento e gestoras ganham no BTG um case de referência sobre como construir competência em tokenização de forma gradual, começando por ativos sob a própria gestão (cotas de fundos) antes de avançar para produtos de terceiros.
  • Áreas de tesouraria corporativa devem monitorar a evolução regulatória de stablecoins no Brasil, já que a viabilidade da tese do BTG depende diretamente de regras que ainda não existem.
  • Investidores em CRIs e CRAs devem observar se a segunda fase do projeto do BTG — emissão direta de ativos em blockchain — avança, já que mudaria a forma de negociação desses títulos.

Cenários e próximos passos

O BTG sinalizou que deve anunciar novidades sobre ativos digitais nos próximos meses, o que deve esclarecer o ritmo real de avanço do projeto com a Ripple e a CSD BR. O desenvolvimento do arcabouço regulatório brasileiro para stablecoins e ativos tokenizados — hoje ainda incompleto, segundo o próprio executivo do BTG — é a variável mais determinante para saber se o prazo de três a cinco anos citado por Portilho se confirma.

Fontes

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Como esta matéria foi feita. A redação da VEXIA usou inteligência artificial para reunir e organizar fontes públicas (dados oficiais, empresas e imprensa especializada), e revisou o texto antes de publicar. As fontes estão citadas ao fim da matéria.

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