Ibovespa cai 13,88% e aciona circuit breaker na 5ª maior queda da história
Dólar bateu R$ 5,40 e os juros futuros de 2031 dispararam mais de 250 pontos-base no primeiro pregão após a reeleição de Lula — movimento que levou o Tesouro a cancelar dois leilões de títulos e recomprar R$ 14,8 bilhões em papéis

Contexto
O primeiro pregão da B3 depois da reeleição de Lula no 2º turno de domingo (25/10) confirmou a reação que os mercados futuros já vinham sinalizando de madrugada: o Ibovespa fechou a segunda-feira (26/10) em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, levando a bolsa a acionar o circuit breaker — mecanismo que suspende temporariamente os negócios diante de quedas abruptas — pela primeira vez desde março de 2020, no início da pandemia.
O que está em jogo
Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, a queda de 13,88% está entre as cinco maiores da história do Ibovespa em um único pregão, atrás apenas de quedas registradas na crise financeira russa de 1998 (-15,83%), na crise asiática de 1997 (-14,98%) e em dois pregões de março de 2020, no início da pandemia (-14,78% e -13,92%). Das dez maiores quedas diárias da história do índice, apenas uma — a desta segunda — tem origem puramente doméstica e política; as demais vieram de crises financeiras internacionais ou da pandemia.
No câmbio, o dólar bateu R$ 5,40 ao longo do pregão. Nos juros futuros, o contrato de DI para janeiro de 2031 fechou a segunda-feira em 15,185%, alta de 254 pontos-base sobre o ajuste de sexta-feira (12,642%) — e chegou a bater 15,940% no pico intradiário, por volta das 11h02, alta de 330 pontos-base. O contrato para janeiro de 2028 fechou em 14,80%, alta de 194 pontos-base. Para dimensionar o movimento: o DI de janeiro de 2031 estava em 13,99% em 2 de outubro, antes do 1º turno — ou seja, a taxa de juros longa fechou a segunda-feira acima até do patamar anterior à eleição inteira, sinal de que o mercado não só devolveu o otimismo acumulado desde o 1º turno, como embutiu prêmio de risco adicional.
A curva de juros de curtíssimo prazo também se mexeu dentro do próprio pregão: pela manhã, chegou a precificar alta de 25 pontos-base na Selic (hoje em 13,75%) já na reunião do Copom da semana que vem — um giro completo em relação à sexta-feira, quando o mercado via quase 100% de chance de corte de 25 pontos-base. Ao fim da tarde, a precificação mudou de novo, passando a apontar manutenção da Selic na própria reunião, com altas de 25 pontos-base em dezembro e 50 pontos-base em janeiro.
Como isso funciona
Diante da disparada dos juros, o Tesouro Nacional agiu para conter a pressão sobre o próprio custo de financiamento: cancelou o leilão de títulos prefixados previsto para quinta-feira e o leilão de papéis indexados à inflação de terça-feira, mantendo apenas o leilão de LFTs (indexadas à Selic) já programado. Paralelamente, recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em títulos prefixados e R$ 7,7 bilhões em papéis indexados à inflação — movimento que retira oferta do mercado secundário para tentar conter a disparada das taxas, somando R$ 14,8 bilhões em recompras.
Setorialmente, a queda não foi uniforme. Bancos (como Banco do Brasil e Bradesco) e varejo lideraram as perdas, com ações caindo até 58% em alguns casos do setor de consumo, segundo o InfoMoney — movimento coerente com juros mais altos, que encarecem crédito e pressionam tanto a inadimplência quanto o consumo. Do outro lado, ações de exportadoras como Suzano e Embraer chegaram a subir, beneficiadas pela desvalorização do real, que torna receita em dólar mais vantajosa quando convertida.
Análise VEXIA
O dado mais importante para quem avalia risco não é só o tamanho da queda — é a velocidade com que o mercado girou dentro do próprio pregão de segunda-feira. A curva de juros de curto prazo passou de precificar corte de Selic para precificar manutenção e depois alta, tudo no espaço de poucas horas. Esse tipo de reversão rápida indica um mercado processando informação nova em tempo real, não um movimento de pânico unidirecional — o que é, em si, um sinal de que o patamar final de precificação ainda não está definido, e deve continuar oscilando nos próximos dias conforme o governo sinalizar (ou não) compromisso fiscal.
A ação do Tesouro — cancelar leilões e recomprar quase R$ 15 bilhões em títulos — é tecnicamente uma medida de gestão de liquidez do mercado secundário, não uma intervenção de política monetária (isso é atribuição do Banco Central, não do Tesouro). Mas o efeito prático é semelhante: reduzir a pressão de venda forçada e dar tempo para o mercado se reorganizar sem uma espiral de alta de juros auto-alimentada. É um precedente a observar nos próximos dias: se a volatilidade persistir, o Tesouro tem claramente sinalizado disposição para repetir a dose.
Para empresas que não operam diretamente em bolsa, o canal de transmissão mais relevante desta notícia é o do crédito: juros futuros mais altos de forma sustentada tendem a se traduzir, com alguma defasagem, em custo mais alto de capital de giro, financiamento de estoque e renovação de dívida bancária — mesmo para empresas sem nenhuma exposição direta ao mercado de capitais. O tamanho desse repasse depende de quanto da alta desta segunda-feira se confirma como patamar novo versus quanto se reverte nos próximos pregões, à medida que a poeira baixar.
O que muda na prática
- Empresas com renovação de dívida prevista para os próximos meses devem considerar antecipar negociações ou travar taxas, dado o salto abrupto nos juros futuros de longo prazo — esperar pode significar contratar em patamar ainda mais alto, ou mais baixo, dependendo de como o cenário evoluir; a incerteza em si já é um custo.
- Varejo e bancos, setores mais afetados na sessão, devem monitorar o fluxo de notícias sobre equipe econômica do governo como gatilho de recuperação ou aprofundamento da queda nos próximos dias.
- Exportadoras (papel e celulose, proteína animal, mineração) têm, no curto prazo, um viés favorável pelo real mais fraco — mas o efeito tende a durar enquanto o câmbio permanecer desvalorizado, não é estrutural.
- Investidores pessoa física com renda fixa prefixada ou IPCA+ devem observar as condições de novos aportes: com os juros mais altos, títulos novos saem com taxas mais atrativas do que há poucos dias — ao custo de mais volatilidade no preço de marcação a mercado dos títulos já em carteira.
- Tesourarias corporativas com dívida em dólar devem revisar hedge cambial, dado o patamar de R$ 5,40 atingido no pregão e as projeções de bancos que vão de R$ 5,30 (Wells Fargo, cenário de ajuste fiscal convincente) a R$ 5,60 (Morgan Stanley e Goldman Sachs, cenário de deterioração fiscal).
Cenários e próximos passos
As projeções de bancos para o dólar nos próximos dias variam bastante: Wells Fargo vê o real voltando a cerca de R$ 5,30 caso o governo anuncie ajuste fiscal convincente e um ministro da Fazenda bem recebido pelo mercado; JPMorgan projeta até R$ 5,50 em cenário de revisão rápida de expectativas fiscais; Morgan Stanley e Goldman Sachs apontam R$ 5,60 como teto em cenário de deterioração das contas públicas. O ponto de concordância entre os bancos é que a direção do câmbio e dos juros nos próximos dias depende menos do resultado eleitoral já conhecido e mais da formação da equipe econômica e dos primeiros sinais fiscais do governo reeleito — que devem ser o fato gerador da próxima rodada de reprecificação.
Fontes
- https://www.infomoney.com.br/mercados/bolsa-tomba-15-apos-vitoria-de-lula-e-registra-uma-das-maiores-quedas-da-historia/
- https://www.infomoney.com.br/mercados/dolar-apos-bater-os-r-540-com-reeleicao-de-lula-ate-onde-pode-ir/
- https://www.infomoney.com.br/mercados/taxas-dos-dis-disparam-mais-de-250-pontos-base-apos-lula-superar-flavio-na-eleicao/
Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.


