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Real cai 10% e ETFs do Brasil despencam no exterior após reeleição de Lula

Contratos futuros de dólar, o ETF brasileiro EWZ em Nova York e o ETF que replica o Ibovespa em Tóquio reagiram com forte queda à virada eleitoral que o próprio mercado não esperava — analistas projetam abertura volátil nesta segunda-feira

Por
VEXIA
Publicado em · 5 min de leitura
Real cai 10% e ETFs do Brasil despencam no exterior após reeleição de Lula

Contexto

Lula (PT) foi reeleito presidente no 2º turno de domingo (25/10), com 51,77% dos votos válidos contra 48,23% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo apuração de 99,91% das seções eleitorais. O resultado representa uma virada em relação ao 1º turno, quando Flávio havia liderado, e contraria pesquisas de véspera que indicavam empate técnico com leve vantagem ao senador. Antes do 2º turno, o Ibovespa havia fechado em alta de 7,7% no pregão seguinte ao 1º turno, impulsionado pela expectativa do mercado de uma eventual vitória de Flávio.

Com os mercados brasileiros fechados no domingo, a primeira reação de preço veio de instrumentos negociados no exterior, operados em fusos horários diferentes — e o resultado foi uma queda abrupta e generalizada nos ativos brasileiros.

O que está em jogo

Dólar futuro: às 3h38 (horário de Brasília) de segunda-feira, o contrato de novembro do dólar futuro negociado na CME, em Chicago, caía 10,09%, com o dólar implícito projetado a R$ 5,56. O contrato de dezembro recuava 9,79%.

EWZ (ETF de ações brasileiras em Nova York): às 5h34 de segunda-feira, o fundo que replica o índice MSCI Brasil recuava 26,04% no pre-market, cotado a US$ 31,30. Outros papéis brasileiros negociados nos Estados Unidos também caíam no mesmo horário: os ADRs da Petrobras (PBR, equivalente à PETR3) recuavam 19,53%, a US$ 21,05; os PBR-A (equivalentes à PETR4) caíam 19,72%, a US$ 18,89; a Vale (VALE) recuava 5,24%; e o Itaú (ITUB) desabava 25,54%.

ETF em Tóquio: o Nomura NF Ibovespa Link ETF, fundo listado na Bolsa de Tóquio que replica o Ibovespa, caiu 12,75% nos primeiros negócios da madrugada de segunda-feira (horário asiático), cotado a 285,3 ienes — o primeiro sinal de preço a reagir ao resultado, por conta do fuso horário.

Como isso funciona

Esses três movimentos não são o preço final do mercado brasileiro — são sinais antecipados, vindos de instrumentos negociados fora do horário normal da B3 (que abre às 10h, horário de Brasília) e, no caso dos ETFs americano e japonês, fora até do fuso horário brasileiro. Dólar futuro na CME, EWZ em Nova York e o ETF de Tóquio funcionam como termômetros de reação rápida: eles absorvem a notícia antes que o mercado doméstico brasileiro tenha a chance de precificar, e costumam exagerar o movimento em relação ao que se confirma depois, quando a liquidez do pregão local entra em ação.

Ainda assim, a direção do movimento é um sinal relevante: segundo analistas consultados pela Reuters e citados pelo InfoMoney, o resultado de domingo pegou o mercado mal posicionado. Felipe Balassiano, da gestora de multimercados ASA, disse que o resultado foi "a maior surpresa da eleição" e que o mercado não estava posicionado para ele — a expectativa predominante, inclusive em pesquisas feitas pelo próprio Citi (como a VEXIA noticiou na véspera da votação), apontava probabilidade bem maior de reação positiva a uma vitória de Flávio do que de reação negativa moderada a uma vitória de Lula. O resultado real foi o oposto do que a maior parte do mercado apostava.

Análise VEXIA

O dado mais importante para quem administra caixa, dívida ou portfólio não é o tamanho da queda nos instrumentos noturnos — é a confirmação de que o cenário de maior volatilidade identificado pela pesquisa do Citi, publicada pela VEXIA na sexta-feira, se concretizou. Na ocasião, 79,5% dos investidores consultados pelo banco esperavam queda do Ibovespa superior a 5% numa eventual vitória de Lula, contra apenas 49,3% que esperavam alta na mesma magnitude com Flávio. A assimetria identificada então — queda esperada muito mais extrema do que o ganho esperado no cenário alternativo — é exatamente o que os números desta madrugada mostram se desenrolando nos mercados internacionais.

Há uma diferença, porém, entre o movimento de instrumentos de baixa liquidez fora do horário normal e o que de fato vai se confirmar na abertura da B3 às 10h. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, espera dólar sustentado perto de R$ 5,40 ao longo de 2027 — abaixo do R$ 5,56 implícito no contrato futuro da madrugada — o que sugere que parte do movimento inicial tende a ser corrigida nos primeiros dias, à medida que a liquidez do pregão doméstico absorve a notícia de forma mais equilibrada. William Castro Alves, da Avenue, descreveu o cenário como um período turbulento de curto prazo, com reversão de boa parte da alta acumulada desde o 1º turno — não necessariamente uma reprecificação permanente nesse patamar.

O consenso entre os analistas consultados é que a trajetória de volatilidade só deve arrefecer quando o governo reeleito sinalizar compromisso concreto com responsabilidade fiscal — o que reforça, mais uma vez, que não é o resultado eleitoral isolado que determina o apetite por ativos brasileiros, mas a trajetória fiscal esperada daqui para frente.

O que muda na prática

  • Tesourarias com exposição cambial ou dívida em dólar devem considerar o patamar de R$ 5,40 a R$ 5,56 como referência de curtíssimo prazo para hedge, cientes de que parte do movimento da madrugada tende a se corrigir ao longo da semana.
  • Investidores com posição em ações brasileiras negociadas no exterior (ADRs, EWZ) devem monitorar a abertura da B3 às 10h como o sinal mais confiável — os preços de pre-market e de mercados asiáticos tendem a exagerar o movimento por baixa liquidez.
  • Empresas com decisões de investimento ou financiamento pendentes ganham argumento para aguardar os primeiros dias da semana antes de travar condições de câmbio ou juros, dado o consenso de forte volatilidade de curto prazo.
  • Investidores em renda fixa devem acompanhar a abertura das curvas de juros futuros na B3, citada por Balassiano como um dos pontos de maior pressão imediata, junto com o câmbio e a bolsa.
  • Quem acompanha política econômica deve monitorar, nos próximos dias, os primeiros sinais sobre a equipe econômica do governo reeleito — é esse sinal, segundo os analistas, que deve determinar se a volatilidade se mantém ou arrefece.

Cenários e próximos passos

A B3 abre o pregão desta segunda-feira às 10h, horário de Brasília — o primeiro teste real de preço depois da reação inicial dos instrumentos internacionais. Nos próximos dias, o mercado deve observar declarações do governo reeleito sobre a equipe econômica e o compromisso com o arcabouço fiscal, apontado pelos analistas como o fator que deve determinar se a volatilidade desta madrugada se confirma como tendência ou se reverte parcialmente, como ocorreu em ciclos eleitorais anteriores.

Vale notar que tanto Balassiano quanto William Castro Alves, da Avenue, citaram fatores de incerteza adicionais que vão além do resultado numérico da eleição: a apuração em algumas localidades, eventos envolvendo o STF ao longo da campanha e a possibilidade de judicialização do resultado por parte da campanha derrotada. Esses fatores, se vierem a se materializar nos próximos dias, tendem a prolongar a janela de volatilidade além do que o mercado precificou nesta madrugada — um risco adicional que empresas e investidores com decisões sensíveis a câmbio e juros devem monitorar junto com os sinais puramente econômicos da transição de governo.

Fontes

  • https://www.infomoney.com.br/mercados/real-cai-10-no-mercado-futuro-ante-dolar-apos-reeleicao-de-lula/
  • https://www.infomoney.com.br/mercados/etf-do-brasil-no-exterior-ewz-cai-quase-20-no-aftermarket-com-reeleicao-de-lula/
  • https://www.infomoney.com.br/mercados/etf-de-acoes-brasileiras-em-toquio-desaba-quase-13-apos-lula-vencer-eleicao/
Nota de transparência

Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.

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