CEO da Pague Menos cobra isonomia do Mercado Livre na venda de remédios
Jonas Marques acusa a plataforma de vender medicamentos sem comprovar origem e produtos da marca própria da rede sem autorização — enquanto a Anvisa já notificou o Mercado Livre e as ações do setor reagiram a cada novo capítulo da disputa
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O que muda: Farmácias e redes de varejo farmacêutico devem acompanhar o desfecho da notificação da Anvisa ao Mercado Livre como precedente regulatório que vai definir se marketplaces podem operar no setor nos moldes atuais. Ver o que fazer
Contexto
O Mercado Livre passou a operar, a partir de março de 2026, um modelo de marketplace conectando consumidores a farmácias na cidade de São Paulo — primeiro com medicamentos isentos de prescrição, depois, em julho, com prescritos sem retenção de receita, e, em setembro, com medicamentos de retenção de receita, incluindo canetas emagrecedoras. Em entrevista ao NeoFeed, Jonas Marques, CEO da Pague Menos, criticou publicamente o movimento da plataforma.
O que está em jogo
Marques acusa o Mercado Livre de querer atender o país sem se submeter às mesmas regras do varejo farmacêutico tradicional, citando a compra de uma pequena farmácia no bairro do Jabaquara, em São Paulo, e processos envolvendo falsificação de produtos farmacêuticos e de perfumaria na plataforma. "Tudo que a gente quer é que o Mercado Livre se submeta à mesma regra da rede varejista", disse o executivo, questionando como a plataforma consegue vender produtos cuja origem não comprova.
Segundo Marques, o Mercado Livre também vende, sem autorização, produtos da Dauf, marca própria de higiene e beleza da Pague Menos — e novos canais de venda não autorizados continuam surgindo mesmo depois de notificações da rede. Ele descreve o setor farmacêutico como "assustado" com o movimento e pede providências da Anvisa, agência reguladora do setor. A Pague Menos descarta qualquer parceria comercial com a plataforma.
Como isso funciona
Do ponto de vista regulatório, uma lei de março de 2026 permitiu que farmácias contratem plataformas de logística e entrega para suas vendas, mas não autorizou vendas diretas via marketplace nos moldes do que o Mercado Livre vem operando. Uma resolução da Anvisa de 2009 veta a venda de medicamentos em sites sem conexão direta com redes varejistas autorizadas a operar no setor.
A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) enviou ofício formal à Anvisa sobre o tema, e a agência reguladora já notificou o Mercado Livre. O mercado financeiro reagiu a cada capítulo da disputa: quando a notícia da expansão da plataforma veio à tona, em 24 de setembro, as ações da Pague Menos caíram 8% (com pico de queda acima de 10% durante o pregão), as da RD Saúde recuaram 5,38% e as da Panvel, 4,9%. Quando a notificação da Anvisa ao Mercado Livre foi divulgada, o movimento se inverteu: Pague Menos subiu 6,63%, RD 4,11% e Panvel 3,23%.
Segundo Marques, o próprio Mercado Livre já procurou a Pague Menos várias vezes propondo integração à plataforma — convites que a rede rejeitou. Uma fonte da indústria farmacêutica ouvida pela reportagem avalia que fabricantes de medicamentos dificilmente aceitarão vender fora das redes tradicionais de farmácia, já que essas redes são hoje seu principal canal de distribuição ao consumidor final.
Análise VEXIA
O padrão mais relevante neste conflito é como o mercado financeiro já precifica o resultado regulatório antes de qualquer decisão final da Anvisa: a reação das ações de Pague Menos, RD e Panvel a cada notícia — queda com a expansão da plataforma, alta com a notificação regulatória — mostra que investidores tratam a questão como uma disputa de desfecho binário (ou o Mercado Livre consegue operar nesse formato, pressionando as redes físicas, ou é contido pela regulação), não como uma zona cinzenta que se resolve aos poucos. Esse tipo de precificação tende a gerar volatilidade elevada nas ações do setor até que haja uma definição regulatória mais clara.
O argumento de isonomia levantado por Marques — "que o Mercado Livre se submeta à mesma regra" — é estrategicamente mais forte do que simplesmente pedir a proibição da concorrência: ao não pedir que a venda online de medicamentos pare, mas que siga as mesmas exigências sanitárias e de rastreabilidade das farmácias físicas, a Pague Menos se posiciona como defensora da segurança do consumidor, não apenas de seus próprios interesses comerciais — um enquadramento que tende a ter mais eco junto à Anvisa e à opinião pública do que uma defesa aberta de barreira à concorrência.
O contexto financeiro da Pague Menos torna essa disputa ainda mais relevante para a companhia: as ações PGMN3 acumulam queda de 57% em 2026, com valor de mercado de R$ 1,95 bilhão, mesmo com receita líquida de R$ 3,9 bilhões (alta de 8%) e lucro de R$ 73,6 milhões (alta de 22%) no segundo trimestre. Esse descolamento entre desempenho operacional e valor de mercado sugere que o principal fator pressionando as ações não é a operação em si, mas o risco percebido pelos investidores em relação a ameaças estruturais como a entrada de marketplaces no setor — o que explica por que a empresa trata o caso Mercado Livre com tanta prioridade pública.
O que muda na prática
- Farmácias e redes de varejo farmacêutico devem acompanhar o desfecho da notificação da Anvisa ao Mercado Livre como precedente regulatório que vai definir se marketplaces podem operar no setor nos moldes atuais.
- Fabricantes de medicamentos e produtos de higiene e beleza com marca própria distribuída por farmácias devem monitorar canais não autorizados de revenda de seus produtos em plataformas de marketplace.
- Investidores em ações do setor farmacêutico (Pague Menos, RD Saúde, Panvel) devem esperar volatilidade adicional a cada novo capítulo da disputa regulatória, dado o padrão de reação já observado no mercado.
- Consumidores que compram medicamentos online devem verificar se a farmácia de origem está de fato autorizada a operar, dado o questionamento da Abrafarma sobre rastreabilidade de produtos vendidos por canais não regulamentados.
- Outras plataformas de marketplace que avaliam entrar em setores regulados (como farmacêutico, mas também outros com forte regulação sanitária) têm no caso um exemplo de como a reação de reguladores e de concorrentes estabelecidos pode ser rápida e ter efeito direto sobre o valor de mercado de todos os envolvidos.
Cenários e próximos passos
A resposta da Anvisa à notificação enviada pela Abrafarma é o desdobramento regulatório mais importante a acompanhar — ela deve definir se o modelo de marketplace do Mercado Livre para medicamentos pode continuar operando nos termos atuais ou precisa de ajustes. O balanço do terceiro trimestre da Pague Menos, previsto para 4 de novembro, deve trazer mais detalhes sobre o impacto financeiro da disputa e sobre os planos de expansão física da rede, hoje condicionados à queda da Selic.
Fontes
Como esta matéria foi feita. A redação da VEXIA usou inteligência artificial para reunir e organizar fontes públicas (dados oficiais, empresas e imprensa especializada), e revisou o texto antes de publicar. As fontes estão citadas ao fim da matéria.
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