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Passagem comprada de última hora custa 110% mais: o que o Paytrack Index ensina sobre a política de viagens corporativas

No terceiro trimestre, bilhete adquirido a 5,6 dias do embarque saiu a R$ 2.063, contra R$ 983 a 42 dias; QAV subiu 87% entre fevereiro e maio e hospedagem e alimentação também pesam no orçamento

Produzido com apoio de IA, revisado pela redação. Como trabalhamos

O que muda: Meça a antecedência de compra por área. Descubra quais times compram a menos de 7 dias e quanto isso custa. Ver o que fazer

Comprar passagem aérea em cima da hora saiu 110% mais caro para as empresas no terceiro trimestre de 2026, segundo o Paytrack Index, levantamento da plataforma de gestão de despesas Paytrack divulgado pelo InfoMoney em 5/11. A diferença média foi de R$ 1.080,42 por bilhete entre quem comprou perto do embarque e quem comprou cerca de 42 dias antes. Nota de transparência: os dados vêm de uma única reportagem, baseada em índice de uma empresa que vende soluções de gestão de viagens, ou seja, com interesse comercial no tema; os números devem ser lidos nesse contexto.

Contexto

O Paytrack Index é calculado, segundo a reportagem, com base em transações que somam mais de R$ 5 bilhões por ano. No terceiro trimestre, o ticket médio foi de R$ 2.063,12 para compras feitas a 5,6 dias da viagem (perfil que o índice chama de janela crítica), contra R$ 982,70 para compras a 41,9 dias (janela ótima). O perfil intermediário, com compra a 15,4 dias, teve ticket de R$ 1.410,46, 43,5% acima do ótimo. A janela crítica custa mais 46,3% do que a moderada.

Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, disse que o ticket das compras de última hora subiu cerca de 20% em relação ao ano anterior, enquanto os outros perfis variaram em um dígito. Descontada a inflação, o preço na janela ótima ficou praticamente igual ao de 2025.

O que está em jogo

Dois fatores pressionam o custo. O primeiro é o combustível. A Confederação Nacional do Transporte, em pesquisa de agosto de 2025 citada pela reportagem, indica que o querosene de aviação (QAV) responde por 36% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras. Entre 1º de fevereiro e 31 de maio de 2026, o QAV subiu 87,32%, e a alta sobre os 12 meses anteriores foi de 68,5%, segundo a ANP. A reportagem associa o movimento a tensões geopolíticas na Europa e no Oriente Médio.

O segundo é o câmbio. Dietze avaliou que, sem sinal claro de ajuste fiscal, o dólar tende a seguir pressionado, o que dificulta quedas nas tarifas. Segundo ele, parte da pressão pode já estar nas passagens de 2027, porque as companhias trabalham com precificação antecipada e proteção cambial e de combustível.

O ano eleitoral também aparece. A rota Congonhas (São Paulo)-Brasília teve ticket médio de R$ 1.578,92, 33,1% acima do ano anterior e 19,4% abaixo do trimestre anterior. O CEO da Paytrack, Pedro Góes, disse que o aumento surgiu a partir do terceiro trimestre e que o padrão se repete em anos eleitorais; discussões sobre a reforma tributária também podem ter contribuído.

Como isso funciona

A tarifa aérea segue gestão de receita: as companhias reservam os assentos mais baratos para quem compra cedo e elevam o preço conforme a ocupação sobe e o embarque se aproxima. Para o passageiro corporativo, que muitas vezes viaja por demanda imprevista, o custo do imediatismo é alto.

Góes afirmou que muitas empresas não acompanham o indicador de antecedência e não sabem qual área compra em cima da hora nem quanto isso custa. Segundo ele, viagens urgentes são comuns em médias e grandes empresas, mas boa parte do problema vem de falta de organização. A solução proposta é exigir aprovações específicas para pedidos fora do prazo. O Sicredi, cliente da Paytrack desde 2018, registrou em 12 meses economia de mais de R$ 2 milhões em passagens e R$ 880 mil em hospedagens, e redução de até 75% no tempo por reserva; esses são resultados informados pela fornecedora e pelo cliente, sem auditoria independente.

Na hospedagem, o gasto médio foi de R$ 404,14 no trimestre, alta de 4,6% sobre um ano antes. As maiores altas por capital foram Salvador (+17,7%), Manaus (+12,8%) e Fortaleza (+12%); São Paulo subiu 9,3%. As diárias médias mais altas foram em São Paulo (R$ 543,95), Brasília (R$ 503,69) e Rio (R$ 434,73). Na alimentação, o ticket médio foi de R$ 74,48, alta de 4,1%.

Análise VEXIA

O fato é que a antecedência virou a principal alavanca de custo na viagem corporativa. A leitura VEXIA é que muitas empresas tratam viagem como despesa de rotina e a controlam por teto de valor, não por comportamento de compra. O dado do índice sugere que o prazo de antecedência explica mais do preço do que a negociação com a companhia ou o hotel.

Uma conta simples ilustra: uma equipe comercial que faça 100 viagens por trimestre e antecipe metade delas passaria de uma média de R$ 2.063 para valores mais próximos da janela moderada ou ótima, economia que, pelos números do índice, pode passar de R$ 1.000 por bilhete. É um exercício ilustrativo, não uma projeção das fontes, e depende do perfil de rotas e de datas.

Há limites. A viagem urgente nem sempre é evitável, como um cliente que fecha negócio de última hora ou uma crise operacional. E a média esconde variações por rota e sazonalidade: as fontes mostram, por exemplo, que a rota Congonhas-Brasília caiu 19,4% de um trimestre para outro mesmo com alta anual. Além disso, o índice é de uma fornecedora de software de despesas, que tem interesse em demonstrar economia com seu produto.

Na alimentação, Dietze notou que a alta ficou abaixo da inflação, o que representa queda real, e sugeriu que empresas podem não estar reajustando os limites de refeição na velocidade dos preços, levando o funcionário a complementar a diferença com recursos próprios. É uma hipótese dele, não um dado medido. Mas é um alerta para RH: limite congelado vira custo transferido ao colaborador.

O que muda na prática

  • Meça a antecedência de compra por área. Descubra quais times compram a menos de 7 dias e quanto isso custa.
  • Crie aprovação especial para compra fora do prazo. Foi a recomendação do CEO da Paytrack; exige justificativa para viagens de última hora.
  • Defina uma meta de antecedência. O índice usa cerca de 42 dias como janela ótima; ajuste à sua realidade, mas tenha uma meta mensurável.
  • Revise limites de hospedagem e refeição. Com diárias a R$ 544 em São Paulo e refeição a R$ 74, tetos defasados empurram custo para o funcionário.
  • Compre cedo para 2027 onde der. Se parte do aumento já está nas tarifas do próximo ano, bloquear datas de eventos e reuniões fixas com antecedência pode proteger o orçamento.

Cenários e próximos passos

Com o QAV em patamar alto e o câmbio sob pressão, o cenário-base é de tarifas firmes em 2027. Uma queda do petróleo ou um sinal fiscal mais firme poderia aliviar, mas as companhias trabalham com proteção cambial e de combustível, o que atrasa o repasse. Em ano pós-eleitoral, a demanda corporativa por Brasília tende a se normalizar, o que o dado de queda trimestral da rota já sugere.

O próximo passo é interno: levantar o histórico de compras do último trimestre, calcular a antecedência média e propor a política antes do planejamento orçamentário de 2027.

Fontes

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Como esta matéria foi feita. A redação da VEXIA usou inteligência artificial para reunir e organizar fontes públicas (dados oficiais, empresas e imprensa especializada), e revisou o texto antes de publicar. As fontes estão citadas ao fim da matéria.

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