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iFood vai à Justiça contra a Keeta por preço predatório e aliciamento de restaurantes; rival diz que é manobra de monopolista

Ação na 1ª Vara Empresarial de São Paulo pede perícia sobre os subsídios da concorrente e fala em "bolha de cupons"; a Keeta responde que o iFood tem cerca de 80% do mercado e tenta desviar a atenção de investigação do Cade

Produzido com apoio de IA, revisado pela redação. Como trabalhamos

O que muda: Restaurantes: leia o contrato antes de migrar volume. Verifique cláusulas de exclusividade, prazo, multa e uso de dados antes de aceitar incentivo de qualquer plataforma. Ver o que fazer

O iFood entrou na quarta-feira (4/11) com ação na Justiça de São Paulo contra a Keeta, plataforma de entregas controlada pela chinesa Meituan, por condutas que classifica como anticompetitivas. A empresa acusa a rival de praticar preços predatórios, com operação deficitária financiada pela matriz, e de aliciar restaurantes que têm contrato de exclusividade com o iFood. A Keeta rebate e diz que se trata de uma estratégia de plataforma monopolista para manter posição dominante. Nota de transparência: os fatos aqui vêm de uma única reportagem, do InfoMoney, publicada em 5/11; as alegações de cada lado são só alegações, ainda sem decisão judicial.

Contexto

A disputa pelo mercado brasileiro de entregas de comida ficou mais acirrada com a chegada de um concorrente com caixa de grupo global. Segundo o InfoMoney, o processo foi distribuído à 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem de São Paulo. O iFood pede uma perícia econômico-financeira para medir os subsídios que, na sua visão, a Keeta usa para manter preços artificialmente baixos, e chama o comportamento de concorrência desleal.

O iFood já havia recorrido ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em agosto, pedindo intervenção contra o que chamou de práticas predatórias, segundo a reportagem. Do outro lado, a Keeta afirma que o iFood detém cerca de 80% do mercado brasileiro de entregas, construído, nas palavras da concorrente, com cláusulas agressivas de exclusividade.

O que está em jogo

A ação do iFood tem dois eixos. O primeiro é o preço: a empresa diz que a Keeta opera no prejuízo bancada pela Meituan, com cupons e descontos que criam uma "bolha de cupons", que, na expectativa do iFood, estoura quando os subsídios acabarem. Por esse argumento, a participação de mercado da concorrente seria "fictícia", por depender de subsídio.

O segundo eixo é o aliciamento. O iFood alega que a Keeta montou uma equipe dedicada, com ex-funcionários do iFood, para abordar restaurantes que têm contrato de exclusividade, oferecendo incentivos para romper o vínculo e buscando acesso a dados confidenciais. A empresa chama isso de aliciamento ilícito.

Lucas Pittioni, vice-presidente de Jurídico, Políticas Públicas e M&A do iFood, afirmou, segundo a reportagem, que a discussão não é sobre haver ou não concorrência, e sim sobre como responder a restaurantes e entregadores caso a demanda sustentada por subsídios desapareça.

A Keeta, por sua vez, afirma que o iFood tenta desviar a atenção das autoridades de uma investigação do Cade sobre o suposto descumprimento do acordo firmado em 2023. Esse acordo limita a 25% a parcela das vendas ligada a restaurantes exclusivos e proíbe contratos que bloqueiem negócios com marcas de 30 ou mais unidades.

Como isso funciona

Preço predatório é a prática de vender abaixo do custo para eliminar concorrentes e, depois, recuperar o prejuízo com preços mais altos. Para ser caracterizado, em regra é preciso demonstrar tanto a venda abaixo do custo quanto a possibilidade de recuperar o investimento depois. É por isso que o iFood pede perícia: sem números dos subsídios, a tese não se sustenta.

Já a exclusividade em plataformas de duas pontas, que conectam restaurantes e consumidores, tem efeito duplo. Para o restaurante, pode vir com taxa menor ou mais visibilidade. Para o mercado, pode dificultar a entrada de novos concorrentes. Foi essa preocupação que levou ao acordo de 2023 com o Cade. O limite de 25% de vendas exclusivas é a régua que a Keeta diz estar sendo descumprida.

Análise VEXIA

O fato é que duas empresas se acusam mutuamente de abuso e que ambas têm interesse na narrativa. A leitura VEXIA é que o caso importa menos pelo vencedor do processo e mais por revelar como será a próxima fase do mercado de entregas: menos corrida por cupom e mais disputa por contrato, dado e exclusividade.

Para o restaurante, o cenário é ambíguo. A concorrência trouxe, no curto prazo, mais opções e, provavelmente, melhores condições de comissão. Mas o argumento do iFood, de que a demanda subsidiada pode sumir, aponta um risco real de dependência: o restaurante que redireciona vendas e equipe para uma plataforma pode ficar exposto se a promoção acabar. As fontes não trazem dados sobre comissões nem sobre o volume de vendas migrado, então essa avaliação é qualitativa.

Para o entregador, o risco é parecido. Se a remuneração depende de incentivos que a plataforma retira, a renda por entrega pode cair. Essa é uma hipótese levantada pelo iFood no próprio argumento; a reportagem não traz dados sobre ganhos dos entregadores.

Há, ainda, uma ressalva de método. Todas as informações vêm de comunicados e peças das partes, citadas pelo InfoMoney. Não há laudo, decisão ou parecer do Cade nas fontes lidas. Para o leitor, vale tratar números como a fatia de 80% como declaração da Keeta, não como dado verificado.

O que muda na prática

  • Restaurantes: leia o contrato antes de migrar volume. Verifique cláusulas de exclusividade, prazo, multa e uso de dados antes de aceitar incentivo de qualquer plataforma.
  • Não dependa de uma única plataforma. Mantenha canal próprio (WhatsApp, site, telefone) para reter clientes se um programa de incentivo acabar.
  • Calcule a margem sem cupom. Se o pedido só fecha com desconto bancado pela plataforma, o preço real do cardápio pode estar mal calibrado.
  • Guarde a documentação das propostas. Em disputa de aliciamento, e-mails e mensagens com condições oferecidas podem ser relevantes.
  • Acompanhe o Cade. A investigação sobre o acordo de 2023 pode mexer nos limites de exclusividade que valem para todos.

Cenários e próximos passos

No curto prazo, o caso depende da decisão do juiz sobre a perícia e de eventuais pedidos urgentes, que as fontes não detalham. No Cade, o andamento da apuração sobre o acordo de 2023 pode alterar as regras do jogo para o iFood independentemente do processo cível. E, no mercado, o teste real será o comportamento dos preços e dos incentivos quando e se a Keeta reduzir os subsídios.

Para o gestor de restaurante ou de rede, o recado é pragmático: tratar as plataformas como canal de venda, não como sócio, e manter poder de barganha com contratos curtos e dados próprios.

Fontes

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Como esta matéria foi feita. A redação da VEXIA usou inteligência artificial para reunir e organizar fontes públicas (dados oficiais, empresas e imprensa especializada), e revisou o texto antes de publicar. As fontes estão citadas ao fim da matéria.

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