Inteligência artificial exige preparo e uso responsável na advocacia, aponta ex-presidente da AASP

O avanço da inteligência artificial (IA) no meio jurídico foi um dos temas debatidos durante o 17º Encontro Anual da Associação dos Advogados (AASP). A expansão das novas ferramentas tem provocado mudanças na rotina de escritórios e profissionais do Direito e ampliado a discussão sobre capacitação, responsabilidade e segurança no uso da tecnologia.
Em entrevista à JuriNews, o ex-presidente da AASP, Renato Cury, destacou que a utilização da inteligência artificial já faz parte da realidade da advocacia. Para ele, o principal desafio não está apenas em adotar as ferramentas, mas em compreender como utilizá-las de maneira estratégica e racional.
IA como ferramenta de apoio
Segundo Renato Cury, a tecnologia deve ser utilizada para potencializar o trabalho desenvolvido pelos advogados, e não para substituir a análise profissional.
O advogado ressaltou que a IA pode atuar como uma ferramenta de apoio na execução de diferentes tarefas, contribuindo para tornar determinadas atividades mais eficientes. Entretanto, os resultados produzidos pela tecnologia precisam ser avaliados criteriosamente antes de serem utilizados.
A capacidade de analisar, questionar e validar as informações fornecidas pela inteligência artificial permanece, portanto, como uma responsabilidade essencial do profissional.
Capacitação será cada vez mais necessária
Outro ponto destacado durante o debate foi a necessidade de atualização constante dos profissionais do Direito.
Com a evolução das ferramentas de inteligência artificial, os advogados precisarão compreender não apenas como utilizar os sistemas, mas também como identificar possíveis erros, inconsistências e limitações nas respostas produzidas pelas plataformas.
Para Cury, o estudo contínuo será indispensável para que os profissionais tenham condições de avaliar criticamente o trabalho realizado pela tecnologia.
Nesse cenário, a formação jurídica tradicional passa a ser acompanhada pela necessidade de desenvolver competências relacionadas ao uso, à avaliação e à supervisão de ferramentas digitais.
Segurança das informações exige atenção
A utilização da IA também traz desafios relacionados à proteção de dados e ao sigilo profissional.
Renato Cury alertou que os escritórios e advogados precisam estabelecer critérios de governança para definir quais plataformas serão utilizadas e quais informações poderão ser inseridas nesses sistemas.
O cuidado é especialmente relevante quando estão envolvidos dados de clientes, documentos processuais e informações protegidas pelo sigilo profissional.
Antes de utilizar determinada ferramenta, o profissional deve conhecer suas características, políticas de tratamento de dados e mecanismos de segurança.
Tecnologia já está presente no sistema de Justiça
A discussão também considera que a inteligência artificial não está restrita à advocacia. Ferramentas tecnológicas já fazem parte da rotina de diferentes instituições que integram o sistema de Justiça.
Juízes, promotores e delegados também utilizam recursos tecnológicos para auxiliar atividades profissionais, o que amplia a necessidade de preparação dos advogados para lidar com um ambiente jurídico cada vez mais digital.
A tendência é que a presença da IA continue crescendo no setor, tornando o domínio dessas ferramentas uma competência cada vez mais relevante para a advocacia.
O papel humano permanece essencial
Apesar dos avanços tecnológicos, o debate reforçou que a inteligência artificial deve ser encarada como instrumento de apoio à atividade jurídica.
A interpretação das informações, a tomada de decisões, a definição de estratégias processuais e a responsabilidade profissional continuam dependendo da atuação humana.
Para Renato Cury, estar preparado significa compreender as possibilidades oferecidas pela tecnologia sem abrir mão do conhecimento jurídico e da capacidade crítica.
A discussão realizada no encontro da AASP evidencia, assim, que o futuro da advocacia não necessariamente será marcado pela substituição do profissional pela inteligência artificial, mas pela integração entre conhecimento jurídico, capacidade humana e ferramentas tecnológicas.
Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.


