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Confiança da indústria sobe em outubro, mas setor completa 22 meses no pessimismo

ICEI da CNI avança 1,3 ponto, a 46,2, ainda abaixo da linha dos 50 pontos; condições atuais recuam e ficam no menor nível desde julho de 2020

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VEXIA
Publicado em · 3 min de leitura
Confiança da indústria sobe em outubro, mas setor completa 22 meses no pessimismo

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), medido mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), subiu 1,3 ponto em outubro, para 46,2 pontos. A alta é a segunda consecutiva, mas o indicador segue abaixo dos 50 pontos — linha que separa confiança de falta de confiança —, completando 22 meses seguidos nessa faixa.

Os números por trás da média

O Icei é composto por dois sub-índices. O de expectativas para os próximos seis meses subiu 2,1 pontos, para 49,3 — bem perto da linha dos 50, o que indica que o empresariado industrial está, aos poucos, menos pessimista sobre o futuro próximo. Já o índice de condições atuais recuou 0,2 ponto, para 40 pontos, e está no menor nível desde julho de 2020, no auge da pandemia de covid-19 — um contraste que mostra empresários mais otimistas com o que vem pela frente do que satisfeitos com o presente.

Segundo a CNI, a avaliação negativa sobre a situação das próprias empresas foi a principal causa da queda nas condições atuais. Os fatores apontados pela entidade incluem a redução da demanda por produtos industriais, a pressão de custos sobre a saúde financeira das empresas e incertezas no cenário internacional.

O que diz a CNI

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, afirmou que o quadro negativo tem várias causas, umas mais antigas — como a própria queda da demanda — e outras mais recentes, que agravaram a situação ao longo do ano. A pesquisa ouviu 1.103 empresas industriais entre 1º e 7 de outubro: 456 pequenas, 414 médias e 233 grandes, o que dá à leitura um retrato amplo do setor, da pequena fábrica à grande indústria.

Por que isso importa

O Icei é um indicador antecedente: mede o humor de quem toma decisões de investimento, contratação e produção antes que esse humor apareça nos números oficiais de atividade — como os do próprio IBGE, que já mostrou, na mesma semana, um setor de serviços mais fraco que o esperado em agosto. Um empresariado industrial que segue pessimista sobre o presente, mesmo com expectativas melhorando, tende a adiar decisões de investimento e contratação até ver sinais mais concretos de melhora — o que ajuda a explicar por que a atividade econômica como um todo segue desacelerando, mesmo em meses em que indicadores de confiança sobem.

O contexto por trás dos 22 meses

Quase dois anos de pessimismo contínuo é um período longo para qualquer indicador de humor empresarial — e coincide com boa parte do ciclo de juros altos que o Banco Central vem sustentando para conter a inflação. Com a Selic em patamar elevado por um período prolongado, o crédito para capital de giro e para expansão de capacidade produtiva fica mais caro, o que tende a pesar mais sobre a indústria do que sobre setores menos intensivos em capital. A pequena e a média empresa, que respondem juntas por mais da metade das 1.103 companhias ouvidas na pesquisa de outubro, costumam sentir esse efeito de forma mais direta, com menos margem para financiar operações com recursos próprios enquanto esperam o cenário melhorar.

O que pode mudar o quadro

A combinação de expectativas subindo (49,3 pontos, perto da linha dos 50) com condições atuais caindo (40 pontos) é o tipo de descolamento que os analistas da própria CNI costumam monitorar de perto: ela pode indicar que o empresariado industrial já precifica uma melhora à frente — seja por um eventual ciclo de corte de juros, seja pela expectativa de que a definição da eleição presidencial, em 25 de outubro, destrave decisões de investimento hoje represadas pela incerteza. Mas, até que as condições atuais também comecem a subir de forma consistente, a leitura mais cautelosa prevalece: a indústria brasileira segue, planta a planta, produzindo menos do que gostaria e investindo menos do que poderia.

Fontes

  • https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/confianca-da-industria-sobe-em-outubro-mas-setor-segue-pessimista
Nota de transparência

Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.

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