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FMI, Fazenda e Boletim Focus divergem sobre o tamanho da economia em 2026

FMI projeta crescimento de 2,2% do PIB brasileiro, a Fazenda reduziu a conta para 2,0% e o mercado, no Focus do Banco Central, vê só 1,85% — reflexo de um 3º trimestre mais fraco que o esperado

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VEXIA
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FMI, Fazenda e Boletim Focus divergem sobre o tamanho da economia em 2026

Quem pergunta "quanto vai crescer a economia brasileira em 2026" recebe, hoje, três respostas diferentes — e nenhuma delas é unânime nem entre si, nem internamente ao longo do ano. O Fundo Monetário Internacional (FMI), no relatório Perspectivas da Economia Mundial divulgado em outubro, projeta expansão de 2,2% para o PIB brasileiro. O Ministério da Fazenda, no boletim de setembro, reduziu sua própria conta de 2,3% para 2,0%. E o mercado financeiro, consultado semanalmente pelo Banco Central no Boletim Focus, está ainda mais conservador: 1,85%.

A conta caindo em todas as pontas

Nenhuma das três projeções está parada. O FMI, por exemplo, estimava 2,4% para 2026 em julho e agora revisou para 2,2% — ainda assim, a estimativa mais otimista das três. A Fazenda cortou 0,3 ponto percentual em um único boletim mensal. E o próprio Banco Central, segundo o Focus mais recente, reduziu sua projeção interna de crescimento de 2% para 1,8%, embora a mediana do mercado consultado tenha ficado em 1,85%.

A direção é a mesma nas três fontes — cortar a expectativa —, mesmo que o ponto de partida e a velocidade do corte sejam diferentes. Para 2027, o padrão se repete: FMI projeta 1,9%, Focus prevê 1,40%.

Por que a conta está piorando: o 3º trimestre pesou

Parte da revisão para baixo tem uma causa concreta e recente: os dados do setor de serviços de agosto, divulgados pelo IBGE, vieram abaixo do esperado. O volume de serviços caiu 0,1% na comparação mensal, contra expectativa de alta de 0,5%; na comparação anual, subiu 0,6%, abaixo dos 1,3% esperados pelo mercado. O acumulado em 12 meses, de 2,2%, é o menor desde agosto de 2024.

A composição ajuda a entender o recuo: serviços prestados a famílias — turismo, alimentação, alojamento — subiram 2,1%, no segundo mês seguido de alta, sustentados por um mercado de trabalho ainda apertado e pela renda real. Já serviços profissionais, transportes e outras categorias recuaram, com a XP apontando o custo do combustível como possível fator por trás da queda em transportes.

O resultado fraco levou bancos a revisar suas contas para o terceiro trimestre: a XP passou sua estimativa de -0,08% para -0,15% na comparação trimestral do PIB, e reduziu a previsão do IBC-Br (uma espécie de termômetro mensal da atividade) de 0,7% para 0,4%. A corretora ASA espera o PIB do trimestre perto de zero, e o Bradesco também vê o indicador próximo da estabilidade — mesmo assim, ambos mantêm a projeção de 1,7% para o ano fechado, assim como o Inter e o C6 Bank, sugerindo que o 4º trimestre teria de compensar a fraqueza recente para a conta anual bater com o Focus.

Juros, inflação e o que cada instituição está olhando

A divergência também aparece na inflação. O FMI projeta 4,4% para 2026 e 4,1% para 2027 — dentro da meta oficial, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos (ou seja, teto de 4,5%). Já a Fazenda projeta 4,9%, e o Focus, mais pessimista, chegou a 5,22% — a quarta alta seguida no indicador, e acima do teto da meta.

Para o desemprego, o FMI prevê 6,2% em 2026 e 6,8% em 2027 — números bem acima do dado mais recente do IBGE (Pnad Contínua), que registrou 5,3% no trimestre até agosto, a menor taxa já registrada para o período desde 2012. A diferença mostra como as instituições enxergam o impacto dos juros altos sobre o emprego de forma mais pessimista do que o mercado de trabalho vem, até agora, confirmando.

Sobre os juros, o FMI classifica as condições monetárias como "ainda restritivas": a Selic está em 13,75% ao ano, depois de ter caído de 15% em março de 2026. O Focus projeta uma queda adicional modesta, para 13,25% até o fim do ano — revisão para baixo frente aos 13,50% estimados antes —, e vê a taxa em 12% em 2027 e 10,5% em 2028. Analistas consultados pelo InfoMoney (Inter, C6 Bank) esperam que o Copom corte a Selic nas próximas reuniões, mas sem pressa: a resistência da inflação acima da meta é o principal freio para um corte mais agressivo.

Por que a divergência importa

Para quem administra uma empresa ou planeja investimento, a diferença entre crescer 1,85% ou 2,2% não é só estatística: define se o cenário de referência para 2026 é de desaceleração moderada (visão do Focus e da Fazenda) ou de uma economia ainda em expansão, ainda que mais lenta (visão do FMI). O próprio FMI reconhece que sua projeção é mais otimista que a do governo e do mercado brasileiros — o que, na prática, significa que quem olha só para o número internacional corre o risco de subestimar o quanto a economia doméstica já desacelerou.

Fontes

  • https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/fmi-preve-crescimento-de-22-do-pib-do-brasil-em-2026
  • https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/mercado-eleva-previsao-da-inflacao-para-522-em-2026
  • https://www.infomoney.com.br/economia/queda-de-servicos-em-agosto-reforca-leituras-de-pib-estagnado-no-3o-trimestre/
Nota de transparência

Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.

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