Depois do Ibirapuera, Urbia mira PPPs para destravar novo ciclo de concessões de parques
Empresa do Grupo Construcap, que opera 12 parques em cinco estados com mais de R$ 430 milhões investidos, diz que o modelo sem cobrança de ingresso do Ibirapuera é difícil de replicar — e aposta em parcerias público-privadas para o resto do setor

Contexto
A Urbia, empresa de gestão de parques do Grupo Construcap, completa seis anos à frente do Parque Ibirapuera, em São Paulo, e agora planeja ampliar a atuação no setor por meio de parcerias público-privadas (PPPs), segundo reportagem do NeoFeed publicada em 23 de outubro. O grupo, que também tem a Inova Saúde (hospitalar) e a Elovias (rodoviário) em seu portfólio de concessões, é presidido por Roberto Capobianco, que também preside a Urbia.
A empresa hoje opera 12 operações em cinco estados — entre parques urbanos e unidades de conservação —, com mais de R$ 430 milhões investidos com capital privado. Em São Paulo, administra o Ibirapuera e outros cinco parques municipais (Eucaliptos, Jacintho Alberto, Jardim Felicidade, Lajeado e Tenente Brigadeiro Faria Lima). Fora da capital paulista, tem concessões no Parque Iguaçu (PR) e em Jericoacoara (CE, em consórcio com o Grupo Cataratas), além de prestar serviços de apoio à visitação nos Parques Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral (RS/SC).
O que está em jogo
O caso do Ibirapuera é o que colocou a Urbia no radar do setor de infraestrutura. O parque recebeu 17 milhões de visitantes em 2025, um recorde, e não cobra ingresso — a operação não recebe contraprestação pública. O financiamento vem de patrocínios, eventos e serviços oferecidos aos frequentadores, com um modelo de subsídio cruzado: o excedente das receitas comerciais do Ibirapuera financia integralmente a manutenção, a segurança e as melhorias dos outros cinco parques municipais, que arrecadam menos por conta própria.
O contrato de concessão dos seis parques foi assinado em dezembro de 2019, começou a valer em 2020 e tem prazo de 35 anos. Os números do pacote: R$ 360 milhões de investimento, sendo R$ 110 milhões além das obrigações contratuais mínimas; R$ 70,5 milhões pagos em outorga à Prefeitura de São Paulo; e uma economia anual estimada em R$ 25 milhões em manutenção para a cidade.
Segundo Capobianco, esse modelo — viável comercialmente sem subsídio público, graças ao volume de visitação e patrocínio de um parque-âncora como o Ibirapuera — é difícil de replicar em outros lugares. Por isso a aposta da Urbia nos próximos anos é diversificar o modelo de negócio via PPPs, que preveem algum tipo de contraprestação ou garantia do poder público para parques sem potencial comercial suficiente para se sustentar sozinhos.
Como isso funciona
Uma concessão pura, como a do Ibirapuera, transfere a operação e manutenção de um ativo público para uma empresa privada, que se remunera inteiramente por receitas próprias (patrocínio, eventos, concessões comerciais internas) — sem receber dinheiro público e sem o bem deixar de ser público. Já uma PPP envolve algum tipo de participação financeira do poder público, seja via contraprestação mensal, seja via garantias, o que a torna viável em ativos que não geram receita suficiente por conta própria, mas depende do orçamento do ente público contratante.
A Urbia hoje acompanha estudos de PPP da Prefeitura de Goiânia; Brasília chegou a ser cogitada, mas a iniciativa não avançou. Segundo a empresa, concessão não equivale a privatização, já que o bem público não passa a pertencer à companhia — ela administra por prazo determinado, sob fiscalização do poder concedente.
Um levantamento da consultoria Garín Partners, com dados do Instituto Semeia (outubro de 2026), dá a dimensão do setor: são 39 contratos de concessão de parques vigentes no Brasil hoje. Nos 20 contratos com valores de investimento divulgados, a soma chega a R$ 1,7 bilhão — e nenhum dos contratos vigentes prevê contraprestação pública, ou seja, todos seguem hoje o modelo de concessão pura, como o do Ibirapuera. O pipeline de novos projetos tem cerca de 20 ativos em diferentes estágios, incluindo a PPP de seis parques estaduais paulistas (leilão suspenso em julho) e a PPP do Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre, ainda em estruturação.
Análise VEXIA
A frase mais reveladora da reportagem não é de Capobianco, mas de Marcelo Lagnado, da Garín Partners: “o filé já foi leiloado”. Na prática, isso significa que os parques com maior potencial de arrecadação própria — localização privilegiada, grande fluxo de visitantes, atratividade para patrocinadores — já foram concedidos nos primeiros ciclos, deixando para a próxima rodada ativos estruturalmente menos rentáveis, que dependem de aporte público para viabilizar a concessão.
Isso cria um ponto de atenção para investidores e operadoras que avaliam entrar no setor: o caso do Ibirapuera, com retorno via patrocínio e eventos sem subsídio público, não é o modelo-padrão a esperar — é a exceção que só funciona em ativos com escala e localização muito específicas. A régua de viabilidade para novos projetos tende a ser mais dependente de orçamento público, o que introduz um risco adicional: a restrição fiscal de estados e municípios. A própria reportagem nota essa limitação — PPPs com participação financeira do poder público esbarram no orçamento de entes subnacionais, o que explica por que o leilão da PPP de parques estaduais paulistas foi suspenso em julho.
Para quem lê isso do lado da gestão de negócios, a lição mais ampla é sobre replicabilidade de modelo: um caso de sucesso com estrutura de receita atípica (ausência total de cobrança, dependência de um único ativo-âncora de altíssimo fluxo) não deve ser tratado como template, mas como um ponto fora da curva que exige adaptação significativa — nesse caso, troca de uma fonte de receita (bilheteria ou comercial direta) por outra (orçamento público), o que muda inteiramente o perfil de risco, prazo de aprovação e dependência política do negócio.
O que muda na prática
- Investidores em infraestrutura e concessões devem diferenciar, na análise de qualquer novo edital de parque, se o modelo é de concessão pura (dependente de receita própria) ou PPP (dependente de contraprestação pública) — o perfil de risco e o horizonte de retorno mudam substancialmente entre os dois.
- Empresas de patrocínio e marketing de experiência (eventos, ativações de marca) ganham um canal relevante: parques com alto fluxo como o Ibirapuera funcionam hoje como um ativo de mídia e experiência fora do digital, à medida que mais concessões adotarem esse modelo de monetização.
- Gestores públicos municipais e estaduais que avaliam concessionar parques locais podem usar o caso paulista como referência de due diligence: antes de estruturar uma PPP, vale mapear se o ativo tem potencial de receita própria suficiente para dispensar contraprestação.
- Fundos de infraestrutura devem monitorar o pipeline de ~20 novos ativos identificado pela Garín Partners como fonte de deal flow para os próximos anos, considerando que a restrição orçamentária de entes subnacionais é o principal fator limitante do ritmo de novos editais.
Cenários e próximos passos
A Urbia segue de olho nos estudos de PPP em Goiânia e deve acompanhar a retomada de discussões sobre o leilão suspenso dos parques estaduais paulistas, que depende de resolução orçamentária do estado. O mercado de concessões de parques, segundo a Garín Partners, deve permanecer concentrado nos entes com maior capacidade fiscal — o que tende a excluir, no curto prazo, municípios menores do pipeline de novos projetos, mesmo com interesse de operadoras privadas em expandir atuação no setor.
Fontes
- https://neofeed.com.br/negocios/depois-do-efeito-ibirapuera-urbia-mira-ppps-para-destravar-novo-ciclo-nos-parques/
Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.

