Quase metade das empresas brasileiras ainda não começou a se preparar para a reforma tributária
Levantamento da Fiesp mostra que 48% das empresas não iniciaram ações estruturadas de transição, mesmo com a troca de PIS/Cofins pela CBS e pelo IBS já prevista para começar em 2027

Quase metade das empresas brasileiras — 48%, segundo um levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em agosto — ainda não iniciou nenhuma ação estruturada de transição para a reforma tributária, mesmo com a primeira etapa da mudança prevista para começar em 2027.
Contexto
A reforma tributária aprovada pelo Congresso substitui cinco tributos — PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI — por dois novos impostos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência estadual e municipal. A transição começa em 2027, com a substituição de PIS e Cofins pela CBS, e se estende de forma gradual até 2033, quando o novo sistema deve estar totalmente em vigor e os tributos antigos, extintos.
Segundo o levantamento da Fiesp, 48% das empresas brasileiras ainda não começaram nenhuma ação estruturada para se adaptar a essa transição — o que inclui desde o mapeamento de como o novo sistema afeta a precificação de produtos e serviços até a adequação de sistemas de emissão de notas fiscais e de apuração de créditos tributários.
O que está em jogo
A mudança não é apenas uma troca de nomenclatura de impostos. Segundo Rodrigo Barbeti, CEO e sócio-fundador do Grupo BLB, “o primeiro passo é entender que a Reforma Tributária não é uma questão exclusivamente fiscal”. Na prática, a transição tem efeito direto sobre formação de preços, rentabilidade, contratos de longo prazo, estrutura de custos e disponibilidade de capital de giro — áreas que, em muitas empresas, não são de responsabilidade exclusiva do departamento fiscal ou contábil.
Um dos pontos mais sensíveis é o chamado split payment: com o novo modelo, parte do valor de uma venda pode ser destinada ao Fisco antes mesmo de chegar ao caixa da empresa vendedora. Isso muda o fluxo de caixa de forma estrutural — especialmente para empresas que hoje usam o intervalo entre a venda e o repasse de tributos como uma fonte implícita de capital de giro. Segundo o levantamento, esse mecanismo pode levar companhias, sobretudo pequenas e médias, a precisar de crédito antecipado para sustentar a operação durante a transição.
Barbeti também afirma que “não adianta concentrar todo o conhecimento sobre a Reforma no contador” — um ponto que resume o principal risco identificado pelo levantamento: tratar a reforma como um problema técnico-contábil isolado, em vez de uma mudança que atravessa precificação, contratos comerciais, tecnologia (sistemas de nota fiscal e ERP) e planejamento financeiro.
Como isso funciona
A transição para a CBS e o IBS será gradual e acontece em paralelo com a cobrança dos tributos atuais por um período de convivência entre os dois sistemas, para permitir ajuste de preços, contratos e sistemas sem um corte abrupto. Esse período de transição é, ao mesmo tempo, uma vantagem (dá tempo para as empresas se adaptarem) e um risco (empresas que adiam a preparação para o fim do prazo terão menos tempo de ajuste e menos margem para erros).
Para pequenas e médias empresas, o levantamento aponta que o efeito tende a ser proporcionalmente maior: companhias desse porte costumam ter margens mais apertadas e menos estrutura para absorver mudanças na precificação ou no fluxo de caixa sem repassar o custo ao cliente final ou reduzir a própria rentabilidade.
Análise VEXIA
O dado de 48% de empresas sem ação estruturada é relevante não pelo número em si, mas pelo que ele revela sobre como a reforma tributária está sendo tratada dentro das empresas brasileiras: como um problema de prazo distante, quando na prática já é um problema de planejamento presente. 2027 parece longe, mas a mudança na formação de preços, nos sistemas de faturamento e na gestão de caixa não é algo que se resolve da noite para o dia — sobretudo para empresas que vendem com contratos de prazo mais longo, nos quais o preço já embutido hoje pode não refletir corretamente a carga tributária de 2027 em diante.
A leitura possível é que o atraso na preparação não decorre de falta de informação sobre a reforma em si — ela é amplamente divulgada desde sua aprovação — mas de uma subestimação do tempo e da complexidade necessários para adaptar processos internos. Empresas que tratam a reforma como pauta exclusiva do setor contábil tendem a demorar mais para perceber os efeitos sobre precificação e caixa, justamente porque esses efeitos aparecem primeiro em áreas como vendas, financeiro e tecnologia — não na contabilidade.
Há também um componente de custo de oportunidade pouco discutido: empresas que começam a se preparar cedo têm mais margem para revisar contratos, renegociar prazos com fornecedores e ajustar sistemas sem pressão de calendário. Quem deixa para o fim da janela de transição herda, além da complexidade técnica da mudança em si, a urgência — uma combinação que historicamente eleva o custo de qualquer adaptação regulatória, da reforma trabalhista ao eSocial.
Para o empreendedor à frente de uma pequena ou média empresa, o recado prático do levantamento é que a reforma tributária não compete com outras prioridades de 2027 — ela já compete com as prioridades de hoje, porque o tempo de adequação de sistemas, contratos e processos de precificação consome meses, não semanas.
O que muda na prática
- Mapeie o efeito da CBS e do IBS na formação de preços da sua empresa antes de 2027, principalmente se você vende por contrato de longo prazo — o preço fechado hoje pode não refletir a carga tributária da transição.
- Avalie o impacto do split payment no seu fluxo de caixa. Se a empresa usa o intervalo entre venda e repasse de tributos como fonte implícita de capital de giro, esse espaço pode encolher — planeje uma fonte alternativa de capital de giro com antecedência.
- Não deixe a reforma só com o contador. Precificação, comercial, financeiro e TI (sistemas de nota fiscal e ERP) precisam estar envolvidos, porque os efeitos da mudança aparecem primeiro nessas áreas.
- Reveja contratos de longo prazo com cláusulas de repasse tributário, para garantir que eles permitam ajuste de preço quando a carga tributária mudar na transição.
- Comece pela adequação de sistemas de nota fiscal e ERP, que costuma ser a etapa mais demorada e menos flexível diante de prazos apertados.
Cenários e próximos passos
A primeira etapa prática da reforma — a substituição de PIS e Cofins pela CBS — começa em 2027, o que dá às empresas pouco mais de um ano a partir de agora para iniciar qualquer ajuste estrutural, considerando que mudanças em sistemas de faturamento e renegociação de contratos tendem a levar meses. Com a transição se estendendo até 2033, o período de convivência entre os tributos antigos e os novos deve se tornar, na prática, o principal teste de maturidade de gestão tributária das empresas brasileiras nos próximos anos — e o tamanho da parcela de empresas despreparadas, hoje em 48% segundo a Fiesp, é um indicador que tende a ser acompanhado de perto por federações setoriais e consultorias tributárias à medida que o prazo de 2027 se aproxima.
Fontes
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/negocios/metade-das-empresas-ainda-nao-comecou-a-se-preparar-para-reforma-tributaria/
Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.


