Pular para o conteúdo

Copom decide a Selic na quarta com mercado dividido entre pausa e corte e olhar no risco fiscal

Primeira decisão após a eleição sai dia 4, às 18h30; Itaú e Bradesco veem interrupção do ciclo, e o ex-presidente do BC Gustavo Loyola prevê juros em dois dígitos pelo menos até 2028

Produzido com apoio de IA, revisado pela redação. Como trabalhamos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide a taxa básica de juros na quarta-feira (4/11), às 18h30, na primeira reunião depois das eleições presidenciais. A semana também traz dados de emprego, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e balanços de grandes empresas, segundo a agenda do InfoMoney para 2 a 6 de novembro.

Contexto

A Selic vem em ciclo de cortes iniciado em março, conforme a descrição do Bradesco citada pelo InfoMoney. Outras coberturas do portal indicam a taxa em 13,75% (veja a análise sobre dólar, bolsa e o fim do ciclo na visão do Itaú). O texto da agenda do InfoMoney não informa a Selic atual; cita 13,5% como a projeção dos mercados para a decisão, e diz que a expectativa geral é de interrupção do ciclo.

O que mudou desde o último Copom foi o cenário. A reeleição de Lula provocou, no primeiro pregão após o segundo turno, a maior alta diária do dólar desde janeiro de 1999 (+8,21%, a R$ 5,40) e uma queda de 13,88% no Ibovespa, segundo o SBT News. Em reportagem da Bloomberg publicada pelo InfoMoney, o real teve seu pior dia desde 1999.

O que está em jogo

Os bancos ouvidos pelo InfoMoney descrevem um quadro mais difícil:

  • Itaú: a decisão deve ser unânime e refletir um cenário-base mais deteriorado, por ambiente externo adverso e pressões inflacionárias internas. As expectativas de inflação, já desancoradas, devem piorar.
  • Bradesco: a precificação de mercado indica probabilidade majoritária de interrupção do ciclo de calibração iniciado em março. Petróleo mais pressionado e câmbio mais depreciado devem elevar a projeção de inflação do BC.

A agenda da semana inclui ainda: Caged de setembro na quarta, com projeção de 150 mil vagas formais; produção industrial do IBGE na quinta, com projeção de -0,1% na comparação mensal; balança comercial de outubro na sexta, com projeção de superávit de US$ 9,4 bilhões; e o payroll americano de outubro também na sexta. Na terça, Itaú, Magazine Luiza, C&A e Sabesp divulgam resultados do terceiro trimestre, e os EUA realizam as eleições de meio de mandato, com pesquisas apontando chance de os democratas tirarem a maioria dos republicanos.

Como isso funciona

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação: juros mais altos encarecem crédito, esfriam consumo e investimento e, com isso, pressionam preços para baixo. Quando o dólar sobe e o petróleo encarece, a inflação futura tende a subir, e o BC costuma reagir com cautela, pausando cortes ou mantendo a taxa em nível restritivo.

O ex-presidente do BC Gustavo Loyola, em entrevista ao videocast Stock Pickers divulgada pelo InfoMoney, adicionou o componente fiscal. Para ele, contas públicas desequilibradas e dívida crescente limitam a capacidade do BC de reduzir juros, e tentar estabilizar a economia só com a Selic pode produzir o efeito oposto sem controle do orçamento. Ele descreve um ciclo de "bola de neve": juros altos aumentam a dívida pública, que cresce sem controle do resultado primário, o que eleva o prêmio de risco e leva a juros ainda maiores. Loyola afirmou que "não adianta você ter uma situação fiscal horrível, terrível" enquanto o BC tenta carregar sozinho o fardo pela Selic.

A previsão central dele: mesmo que surja espaço para cortes, os juros devem seguir em dois dígitos pelo menos até 2028, e não há condições para a taxa voltar aos níveis pré-pandemia. Ele não vê crise iminente, mas diz que o Brasil está em trajetória "bastante perigosa". E alerta que, com economia mais fraca e sem ajuste fiscal, as críticas ao BC tendem a aumentar, e ceder a essa pressão pioraria o quadro.

Análise VEXIA

A leitura abaixo é da VEXIA.

Há um cenário em que a decisão de quarta importa menos pelo número e mais pelo texto do comunicado. Se o Copom pausar, o que o mercado vai querer ler é por quanto tempo e sob quais condições o ciclo voltaria; se cortar, será preciso explicar por que, com câmbio e expectativas pressionados. Em qualquer caso, a comunicação sobre risco fiscal e inflação esperada vai valer mais do que 0,25 ponto percentual.

A fala de Loyola ajuda a separar o curto do médio prazo. O curto prazo é o Copom. O médio prazo é a política fiscal, que será definida pela equipe econômica ainda por escolher (veja quem pode comandar a Fazenda). Para as empresas, isso significa que o custo do dinheiro provavelmente ficará alto por mais tempo do que muitos planos de 2027 supunham.

O efeito não é uniforme. Empresas muito alavancadas e setores que dependem de financiamento (imóveis, bens duráveis, varejo com crédito próprio) sentem mais. Empresas com caixa e receita em dólar sentem menos, e podem até ganhar no câmbio. Para o pequeno empreendedor, o principal impacto é capital de giro mais caro e consumidor mais endividado, tema já visível na cautela de fintechs de crédito, como na Creditas.

O que muda na prática

  1. Planeje com Selic alta por mais tempo: monte o orçamento de 2027 com cenário em que não há queda relevante de juros no primeiro semestre.
  2. Reveja dívida a taxa flutuante: simule o custo de refinanciar com prazo maior ou trocar indexador.
  3. Preserve caixa: com crédito caro, margem de segurança vale mais do que expansão financiada.
  4. Acompanhe o comunicado, não só a taxa: palavras sobre inflação, câmbio e fiscal sinalizam o que vem nas reuniões seguintes (a próxima é em 8 e 9 de dezembro).
  5. Cuide do crédito ao cliente: se você vende a prazo, a inadimplência tende a subir com famílias mais endividadas; revise limites e prazos.

Cenários e próximos passos

  • Pausa com tom duro: o cenário mais citado pelos bancos; tende a manter câmbio e juros longos pressionados.
  • Corte de 0,25 ponto: mais próximo da projeção de 13,5% citada pelo InfoMoney, mas contraria o que Itaú e Bradesco consideram mais provável.
  • Dados da semana: Caged, produção industrial e balança comercial podem mexer nas apostas até a decisão.

Fontes

Mais em Finanças, Mercado

Como esta matéria foi feita. A redação da VEXIA usou inteligência artificial para reunir e organizar fontes públicas (dados oficiais, empresas e imprensa especializada), e revisou o texto antes de publicar. As fontes estão citadas ao fim da matéria.

Adicionar a VEXIA como fonte preferida no GoogleAssim as matérias da VEXIA aparecem com mais destaque nas suas buscas e notícias.