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Dólar sobe 9% em uma semana e Itaú já vê fim do ciclo de corte da Selic

O Ibovespa encadeou cinco quedas seguidas e o dólar foi de R$ 4,99 para R$ 5,45 desde a reeleição de Lula — movimento forte o suficiente para o maior banco privado do país revisar a aposta de juros mais baixos em 2027

Produzido com apoio de IA, revisado pela redação. Como trabalhamos

O que muda: Empresas endividadas em reais com taxa pós-fixada devem reavaliar o custo de carregamento da dívida diante da perspectiva de Selic mais alta por mais tempo, não mais em trajetória de queda como se esperava antes da eleição. Ver o que fazer

Contexto

Desde a reeleição de Lula, confirmada em 25 de outubro, o mercado financeiro brasileiro vive uma sequência de sessões negativas. O Ibovespa encadeou cinco quedas seguidas e o dólar passou de R$ 4,99, no fechamento de 23 de outubro, para R$ 5,45 em 30 de outubro — alta de 9,2% em uma semana, segundo levantamento citado pelo Itaú em relatório divulgado em 30 de outubro. Na própria sexta-feira, o Ibovespa caiu cerca de 1%, segundo o InfoMoney.

O movimento foi forte o suficiente para o Itaú, maior banco privado do país, revisar sua visão sobre os próximos passos da política monetária: o banco agora acredita que o ciclo de cortes da Selic, iniciado em março com cinco reduções seguidas, chegou ao fim.

O que está em jogo

Segundo o Itaú, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a Selic em 13,75% ao ano na reunião de 4 de novembro e anunciar, de forma unânime, o fim do ciclo de cortes. Antes da eleição, a pesquisa Focus de 23 de outubro projetava um corte para 13,50% em novembro e 13,25% até o fim do ano — ou seja, a expectativa do mercado mudou de direção na última semana.

O próprio mercado de opções de Copom na B3 mostra a virada: a probabilidade de manutenção da Selic em novembro saltou de 17,5% para 66,5%, e a chance de redução caiu de 69% para 19%. Para dezembro, a probabilidade de manutenção foi de 20% para 45%, e o mercado já atribui quase 18% de chance a uma alta de juros, não um corte.

Como isso funciona

O Itaú elenca quatro fatores por trás da mudança de cenário, que o banco classifica como passou de "incerto" para "adverso": a atividade doméstica perde fôlego (o banco agora projeta queda de 0,1% no PIB do terceiro trimestre); o mercado de trabalho segue apertado, com desemprego em 5,4%; a inflação roda acima da meta, pressionada por serviços; e o cenário externo piorou, com condições financeiras globais mais restritivas, dólar mais forte e expectativa de novas altas de juros do Federal Reserve, banco central americano.

A inflação projetada para 2027 também subiu: o Itaú espera revisão relevante na próxima pesquisa Focus, refletindo fatores como a proposta de fim da escala 6x1 (PEC 6x1), petróleo mais caro, desvalorização cambial e a própria reforma tributária. No mercado de títulos, a inflação implícita para 2027 passou de 5,7% para 6,8% — bem acima dos 4,34% que a pesquisa Focus ainda indicava antes da eleição.

Em exercício de simulação, o Itaú calcula que a inflação só converge para o centro da meta (3%) se a Selic permanecer em 13,75% até o fim de 2028 — um cenário bem mais apertado do que o corte gradual que o mercado vinha precificando até a semana passada.

Análise VEXIA

O dado mais revelador neste conjunto de números não é a queda do Ibovespa isoladamente, mas a velocidade da reprecificação: uma semana foi suficiente para o mercado passar de apostar em cortes de juros para apostar, com quase 20% de probabilidade, numa alta da Selic em dezembro. Esse tipo de virada rápida tende a acontecer quando o mercado reavalia não só o cenário de curto prazo, mas a trajetória fiscal e institucional dos próximos anos — e é consistente com os outros sinais de maior cautela que o mercado vem demonstrando desde a reeleição, incluindo o próprio comportamento do dólar.

Para empresas, o efeito prático mais imediato é o custo de capital: com a perspectiva de Selic mais alta por mais tempo, financiamento, capital de giro e renegociação de dívida ficam mais caros exatamente no momento em que o real mais fraco já pressiona o custo de insumos importados. Essa combinação — juro alto e câmbio depreciado ao mesmo tempo — é mais difícil de administrar do que cada fator isoladamente, porque tende a afetar ao mesmo tempo o lado da receita (pressão de custo) e o lado do financiamento (crédito mais caro).

Vale notar que o próprio Itaú reconhece trabalhar com dados defasados: seus modelos usam uma média móvel de dez dias para o câmbio, de R$ 5,20, que ainda não reflete plenamente a alta mais recente, a R$ 5,45. Ou seja, mesmo a visão mais atualizada do mercado sobre os efeitos da alta do dólar na inflação e nos juros tende a ficar para trás do movimento real do câmbio — o que sugere que as próximas pesquisas Focus e relatórios de bancos podem trazer revisões ainda mais fortes.

O que muda na prática

  • Empresas endividadas em reais com taxa pós-fixada devem reavaliar o custo de carregamento da dívida diante da perspectiva de Selic mais alta por mais tempo, não mais em trajetória de queda como se esperava antes da eleição.
  • Importadores e empresas com insumos cotados em dólar sentem pressão dupla: câmbio mais caro (R$ 5,45 ante R$ 4,99 há uma semana) eleva o custo direto de compra, e isso tende a se refletir no preço de combustível, peças, eletrônicos e outros produtos importados.
  • Quem planeja viagem internacional ou compras em moeda estrangeira enfrenta um dólar quase 10% mais caro do que há uma semana, o que encarece diretamente o custo da viagem ou da compra.
  • Investidores em renda fixa pós-fixada (Tesouro Selic, CDBs atrelados ao CDI) tendem a se beneficiar de uma Selic que fica mais alta por mais tempo do que o esperado antes da eleição.
  • Empresas que avaliavam captação ou refinanciamento para 2027 devem considerar cenário de juro mais alto do que as projeções feitas antes de 25 de outubro, o que pode mudar a viabilidade de projetos sensíveis a custo de capital.

Cenários e próximos passos

A reunião do Copom em 4 de novembro é o primeiro teste concreto da leitura do Itaú: se o Banco Central de fato mantiver a Selic em 13,75% e sinalizar pausa, isso deve confirmar a mudança de regime que o mercado já começou a precificar. A próxima pesquisa Focus, ainda sem data definida nesta reportagem, deve mostrar o tamanho da revisão nas expectativas de mercado para inflação e juros em 2027, já incorporando o efeito da eleição e da alta do dólar.

Fontes

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Como esta matéria foi feita. A redação da VEXIA usou inteligência artificial para reunir e organizar fontes públicas (dados oficiais, empresas e imprensa especializada), e revisou o texto antes de publicar. As fontes estão citadas ao fim da matéria.

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