Flávio Bolsonaro deixa o Brasil para os EUA após ordem de Moraes sobre passaportes
O senador descumpriu o prazo para entregar os passaportes à Polícia Federal e deixou o país dois dias depois da reeleição de Lula no segundo turno; ele nega que a saída seja uma fuga, e não há mandado de prisão contra ele
Produzido com apoio de IA, revisado pela redação. Como trabalhamos
O que muda: Empresas com operação ou investimento nos EUA e relação com autoridades americanas devem monitorar se a postura do governo Trump em relação ao caso Flávio Bolsonaro tem algum desdobramento sobre a agenda comercial bilateral. Ver o que fazer

Contexto
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos na noite de 27 de outubro de 2026, dois dias depois da derrota de Jair Bolsonaro — seu pai — para Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. A informação foi confirmada por pessoas próximas à família e por reportagens do Metrópoles, O Liberal e Brasil de Fato, entre outros veículos.
Flávio é alvo de investigações por suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas do advogado Willer Tomaz e casas de apostas, além de apuração sobre o financiamento do filme "Dark Horse". O ministro Flávio Dino, do STF, também determinou que a Polícia Federal investigue suspeita de financiamento estrangeiro na campanha do senador.
O que está em jogo
Na petição enviada ao STF que motivou as medidas contra Flávio, a Polícia Federal apontou risco "concreto e atual" de fuga, citando publicamente a recomendação do deputado cassado Eduardo Bolsonaro — irmão de Flávio e já radicado nos Estados Unidos — para que o senador deixasse o país em caso de derrota eleitoral da família. Com base nisso, o ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão dos passaportes de Flávio por volta de 26 de outubro, proibiu sua saída do território nacional e fixou prazo até as 11h de 27 de outubro para a entrega dos documentos à PF — incluindo passaportes diplomáticos e o passaporte italiano do senador, emitido em 2023. Flávio não cumpriu o prazo e deixou o país horas depois, segundo o Brasil de Fato.
Apesar da gravidade da medida descumprida, não há mandado de prisão contra Flávio Bolsonaro — apenas investigações em andamento. Por isso, reportagens como a do Brasil de Fato evitam tecnicamente chamá-lo de "foragido", termo que pressupõe ordem de prisão em aberto.
Como isso funciona
O caso de Flávio se soma a uma lista de nomes ligados ao bolsonarismo que deixaram o Brasil em meio a investigações ou condenações da Justiça brasileira: Eduardo Bolsonaro, que vive na Flórida e é considerado foragido desde que foi condenado por coação no curso do processo que levou à prisão de Jair Bolsonaro; o blogueiro Allan dos Santos, com prisão decretada pelo STF desde 2021; e Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Abin, condenado na ação sobre a trama golpista que tentou impedir a posse de Lula em 2023.
O governo americano confirmou que vai conceder vistos a Flávio e à sua família, segundo nota do Departamento de Estado dos EUA de 27 de outubro. No dia seguinte, o presidente Donald Trump comentou o caso publicamente: "Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas", disse, acrescentando, sem apresentar provas, que a eleição brasileira "foi muito estranha".
O presidente reeleito Lula classificou a saída do país como "vergonhosa" e disse que "isso é uma falta de respeito com eleitores dele [de Flávio]". Já Flávio Bolsonaro, em vídeo publicado em 27 de outubro, antes de deixar o país ficar confirmada publicamente, negou que pretendesse sair do Brasil: "Não vão me calar. Não vão me intimidar", afirmou. Até a divulgação das primeiras reportagens sobre sua chegada aos EUA, ele não havia se pronunciado diretamente sobre a viagem.
Análise VEXIA
Para além do noticiário político, o episódio tem um efeito direto sobre como investidores e parceiros internacionais leem o nível de institucionalidade do Brasil pós-eleição. Um senador da República deixando o país em desacordo com uma ordem judicial do STF, dias depois do resultado das urnas, é o tipo de evento que alimenta a percepção de instabilidade institucional — um fator que entra, ainda que indiretamente, na precificação de risco-país que pesa sobre o custo de capital para empresas brasileiras no exterior.
A fala de Trump endossando a ida de Flávio aos EUA e questionando, sem provas, a lisura da eleição brasileira também é relevante para quem acompanha a relação comercial entre os dois países: declarações desse tipo, vindas do presidente americano, tendem a ser monitoradas por quem avalia o ambiente de negociação bilateral, inclusive em temas como tarifas e comércio, ainda que não haja, até o momento, qualquer medida concreta anunciada a partir dessa fala.
Vale separar com cuidado dois planos que aparecem misturados no noticiário: de um lado, o fato verificável — Flávio descumpriu uma ordem judicial específica (entrega de passaportes) e deixou o país; de outro, a interpretação sobre as intenções por trás disso, que inclui a leitura, feita por autoridades e parte da imprensa, de que a saída configuraria fuga da Justiça. Como não há mandado de prisão contra ele, o enquadramento mais preciso é o de descumprimento de uma ordem judicial específica com indícios de intenção de evitar a ação da Justiça — não uma fuga no sentido jurídico estrito do termo.
O que muda na prática
- Empresas com operação ou investimento nos EUA e relação com autoridades americanas devem monitorar se a postura do governo Trump em relação ao caso Flávio Bolsonaro tem algum desdobramento sobre a agenda comercial bilateral.
- Investidores que acompanham risco-país têm no episódio mais um dado qualitativo (não quantitativo) para avaliar o ambiente institucional brasileiro no pós-eleição, ao lado da reação do mercado financeiro já registrada nos pregões desta semana.
- Quem acompanha o noticiário político deve manter a distinção entre o fato confirmado (descumprimento da ordem sobre passaportes e saída do país) e a qualificação de "fuga", que depende de interpretação e não está amparada por mandado de prisão.
- Analistas de política devem observar se o STF toma novas medidas contra Flávio em razão do descumprimento da ordem de entrega dos passaportes, o que pode escalar o caso juridicamente.
Cenários e próximos passos
O desdobramento mais imediato a observar é se o STF adota alguma medida adicional em resposta ao descumprimento da ordem de Moraes — como a emissão de mandado de prisão, hipótese que mudaria o enquadramento jurídico do caso. Também vale acompanhar se o governo dos Estados Unidos formaliza a concessão de visto e asilo ou algum outro status migratório a Flávio e à família, além de possíveis repercussões na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos a partir das declarações de Trump sobre o caso.
Fontes
- brasildefato.com.br/2026/10/28/apos-fugir-do-brasil-flavio-bolsonaro-chega-aos-eua-e-se-junta-a-bolsonaristas-foragidos-da-justica-brasileira
- oliberal.com/eleicoes/flavio-bolsonaro-deixa-o-brasil-e-segue-para-os-estados-unidos-diz-portal-1.1187469
- band.com.br/nacional/brasil/entenda-a-cronologia-da-fuga-de-flavio-bolsonaro-ate-os-estados-unidos
Como esta matéria foi feita. A redação da VEXIA usou inteligência artificial para reunir e organizar fontes públicas (dados oficiais, empresas e imprensa especializada), e revisou o texto antes de publicar. As fontes estão citadas ao fim da matéria.
Adicionar a VEXIA como fonte preferida no GoogleAssim as matérias da VEXIA aparecem com mais destaque nas suas buscas e notícias.