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Midterms nos EUA: o que uma derrota de Trump no Congresso muda — e não muda — para as tarifas contra o Brasil

Americanos votam hoje para renovar a Câmara e parte do Senado; especialistas ouvidos pelo InfoMoney veem espaço para uma relação menos conflituosa, mas sem fim automático da tarifa de 25% em vigor desde julho

Produzido com apoio de IA, revisado pela redação. Como trabalhamos

Nesta terça-feira (3/11), os eleitores americanos vão às urnas nas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms. A Presidência não está em jogo, mas o resultado define quem controlará a Câmara dos Representantes e o Senado a partir de janeiro de 2027 e, com isso, o quanto Donald Trump conseguirá aprovar e fiscalizar nos dois últimos anos de mandato. Para o Brasil, a pergunta que interessa a exportadores, importadores e a quem depende de câmbio é objetiva: uma derrota republicana alivia a pressão tarifária?

A resposta curta, segundo os especialistas citados abaixo, é “talvez em tom, dificilmente em lei”. O texto detalha por quê. A apuração é de 3 de novembro, antes do resultado: a VEXIA não afirma quem venceu nem projeta o placar.

Contexto

O que está em disputa, de acordo com o InvestNews (28/10):

  • Câmara dos Representantes: as 435 cadeiras. A composição citada é de 218 republicanos, 214 democratas, 1 independente alinhado ao grupo republicano e 2 vagas abertas. Para a maioria são necessários 218 deputados.
  • Senado: 35 cadeiras, sendo 33 do calendário regular e duas eleições especiais (Ohio e Flórida). Hoje são 53 republicanos, 45 democratas e 2 independentes alinhados aos democratas. A oposição precisa de 51 cadeiras; em caso de empate em 50 a 50, o vice JD Vance desempata.
  • Governos estaduais: 36 governadores.

A reportagem lembra que, entre 1946 e 2022, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara em 18 das 20 midterms, e que em 2018, na primeira midterm do mandato anterior de Trump, os republicanos perderam 41 cadeiras. Pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 26/10 aponta 47% de preferência por democratas para o Congresso contra 36% por republicanos, e aprovação de Trump em 32%. O próprio InvestNews ressalva que esse levantamento não é uma previsão direta de cadeiras. Os eleitos tomam posse em 3 de janeiro de 2027, e o orçamento temporário do governo federal vale até 11 de dezembro de 2026.

O que está em jogo

Para o Brasil, o ponto central é a política tarifária. Segundo o InfoMoney (03/11, reportagem de Marina Verenicz), em julho o governo Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, com exceções previstas, com cobrança iniciada em 22 de julho com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

A Constituição dos EUA dá ao Congresso a competência para legislar sobre comércio exterior e tarifas. Com o tempo, parte dessa autoridade foi delegada ao Executivo, que pode adotar medidas comerciais em circunstâncias específicas. É nessa delegação que uma maioria democrata poderia atuar.

A professora de Relações Internacionais da FESPSP Ana Carolina Marson, ouvida no programa Mapa de Risco do InfoMoney, avalia que uma presença democrata maior poderia ampliar a fiscalização sobre decisões de política externa e estimular uma postura mais negociadora. Ela fez, porém, uma ressalva: “Acredito que possa ter uma melhoria das relações, mas que essa melhoria não significa uma mudança completa.” Trump continuaria responsável pela condução da diplomacia.

O InvestNews acrescenta o limite jurídico. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte americana decidiu que uma lei de poderes econômicos de emergência não autorizava certas tarifas, mas outras bases legais continuam disponíveis. Um Congresso democrata poderia tentar alterar as leis que delegam esses poderes, mas o veto presidencial permaneceria; derrubá-lo exige dois terços das duas Casas.

Para a reportagem do InfoMoney, uma maioria democrata poderia pressionar por mudanças nas autorizações, convocar autoridades e ampliar o escrutínio sobre as justificativas econômicas das tarifas, mas não teria poder para cancelar automaticamente todas as medidas presidenciais.

Como isso funciona

Câmara. Com maioria, a oposição controla comissões, pode abrir investigações e pedir documentos ao Executivo. A Câmara também pode aprovar impeachment por maioria simples; a condenação no Senado exige dois terços dos presentes, segundo o InvestNews.

Senado. Maioria de oposição teria mais controle sobre indicações a cargos como ministros da Suprema Corte, juízes federais e embaixadores. Muitas propostas dependem de 60 votos por causa do filibuster, com exceções.

Tarifas. O Congresso tem a competência constitucional, mas o Executivo recebeu delegações. Mudar a delegação exige lei, e uma lei pode ser vetada. Na prática, o caminho mais provável de mudança, se houver, passa por negociação e pressão política, e não por revogação legislativa direta. Essa última frase é leitura da VEXIA a partir dos mecanismos descritos pelas fontes.

Brasil entre EUA e China. O repórter de internacional do InfoMoney André Lucena afirmou no mesmo programa que o país está “no centro de uma hipotética disputa entre Estados Unidos e China, e com uma posição muito pragmática”, e que o interesse por terras raras e minerais críticos aumenta a importância brasileira. Para ele, a competição cria oportunidades de atrair investimentos desde que o Brasil negocie condições favoráveis. Lucena avalia também que o pragmatismo diplomático tende a ganhar peso quando há interesses comerciais em jogo, apesar da afinidade ideológica de Trump com setores da oposição brasileira.

O comércio bilateral de bens e serviços entre os dois países somou cerca de US$ 135,7 bilhões em 2025, segundo dados do USTR citados pelo InvestNews. A reportagem também registra que uma vitória democrata não produziria alterações automáticas no dólar, nos juros ou na bolsa.

Análise VEXIA

O que segue é leitura da VEXIA, não fato reportado.

Para o empresário brasileiro, o erro mais perigoso nesta semana é tratar a eleição americana como evento que “resolve” o problema tarifário. Os dois especialistas ouvidos descrevem, com ênfases diferentes, a mesma coisa: pode melhorar o ambiente, não muda o arcabouço de uma hora para outra. A tarifa de 25% foi aplicada por uma base legal específica, a Seção 301, e sua retirada depende de decisão do Executivo americano ou de uma lei que enfrentaria o veto.

Há, no entanto, um efeito indireto que merece atenção. Um Congresso mais fiscalizador tende a elevar o custo político de tarifas que prejudiquem consumidores e empresas americanas. Se a inflação e o custo de vida, que a pesquisa Pew citada pelo InvestNews apontou como preocupações centrais do eleitor, seguirem no centro do debate, a tolerância americana com sobretaxas pode diminuir. Seria uma mudança de incentivo, não de regra.

O segundo ponto é o momento do Brasil. O país chega à eleição americana depois de uma semana de forte estresse financeiro, descrita em dólar sobe 9% em uma semana e Itaú já vê fim do ciclo de corte da Selic. Uma eventual melhora na relação comercial seria bem-vinda, mas não substitui a agenda fiscal doméstica. A discussão sobre quem comandará a Fazenda e sobre o Orçamento de 2027 tende a pesar mais no câmbio e nos juros do que o resultado de qualquer disputa no Congresso americano.

Por fim, vale separar o curto do longo prazo. No curto, a apuração é descentralizada, cada estado define suas regras e os resultados da noite podem ser provisórios, segundo o InvestNews; é possível que o placar final demore. O mercado pode oscilar com as primeiras projeções, e quem tem exposição cambial relevante deve evitar decisões irreversíveis com base em resultado parcial.

O que muda na prática

  1. Não renegocie contratos com base em projeção de eleição. Espere o resultado oficial e, principalmente, sinais do Executivo americano sobre tarifas.
  2. Mantenha cenários para a tarifa de 25%. Exportadores atingidos devem ter um plano para o caso de a sobretaxa continuar, de ser parcialmente revista ou de ser ampliada.
  3. Acompanhe o câmbio no dia seguinte. Volatilidade após a divulgação do placar é comum. Quem tem compra de insumos importados programada deve avaliar proteção em vez de apostar na direção do dólar.
  4. Observe a agenda de negociação Brasil–EUA e Brasil–China. O interesse por minerais críticos e terras raras é uma carta que pode mudar a conversa comercial, segundo a avaliação de Lucena.
  5. Priorize o que você controla. Custo de capital, caixa e prazos com fornecedores pesam mais no resultado do que a manchete da noite eleitoral.

Cenários e próximos passos

  • Democratas conquistam a Câmara: mais fiscalização, audiências e pedidos de documentos sobre tarifas; efeito jurídico imediato limitado.
  • Democratas conquistam as duas Casas: maior resistência legislativa e controle sobre indicações; ainda assim, o Executivo mantém o veto e as atribuições comerciais que já tem.
  • Republicanos mantêm o controle: tendência de continuidade da política comercial atual.

Os próximos marcos são a apuração dos votos nesta noite e nos dias seguintes, a posse dos eleitos em 3 de janeiro de 2027 e a data-limite do orçamento temporário do governo americano, em 11 de dezembro.

Fontes

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Como esta matéria foi feita. A redação da VEXIA usou inteligência artificial para reunir e organizar fontes públicas (dados oficiais, empresas e imprensa especializada), e revisou o texto antes de publicar. As fontes estão citadas ao fim da matéria.

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