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Corte de gastos sem mexer no social é inviável, dizem economistas sobre planos para 2027

Lula e Flávio Bolsonaro falam em ajuste fiscal sem cortar programas sociais, mas 90% do gasto federal é obrigatório — e as despesas discricionárias somam pouco mais de R$ 200 bilhões

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VEXIA
Publicado em · 3 min de leitura
Corte de gastos sem mexer no social é inviável, dizem economistas sobre planos para 2027

Os dois principais candidatos à Presidência prometem, de formas diferentes, equilibrar as contas públicas sem cortar programas sociais. Mas economistas ouvidos pela Agência Brasil dizem que essa conta é difícil de fechar: cerca de 90% do gasto primário do governo federal é obrigatório por lei, e cortar o suficiente para um ajuste fiscal relevante, sem tocar nessa parte, é praticamente inviável.

Por que a conta não fecha

Segundo o professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, da Unicamp, as despesas discricionárias — a fatia do orçamento que o governo pode, em tese, cortar livremente — somam pouco mais de R$ 200 bilhões. Um ajuste fiscal do tamanho que as campanhas vêm sugerindo dificilmente caberia só aí. Para a professora Maria Lourdes Mollo, da UnB, cortes desse porte afetariam políticas sociais diretamente e reduziriam o efeito multiplicador que o gasto público tem sobre renda e emprego — e, com a arrecadação caindo em consequência, também diminuiriam os recursos vinculados a educação e saúde.

Bastos é ainda mais direto sobre os alvos mais populares do discurso de corte: supersalários e "penduricalhos" no funcionalismo somam alguns bilhões de reais, não as centenas de bilhões necessárias para um ajuste relevante. Combater fraudes no INSS, segundo ele, geraria economia pontual — não recorrente, ano após ano. Para chegar a um corte de 1,5% a 2% do PIB, diz, seria preciso mexer em despesas obrigatórias ou nas regras de reajuste de benefícios — o que, na prática, equivaleria a uma reforma da Previdência feita sem passar pelo Congresso.

O que cada lado promete

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) já defendeu um "tesouraço" nos moldes do ajuste argentino, mas o candidato agora afirma que não reduzirá programas sociais. Sua coordenadora econômica, Daniella Marques, falou em um ajuste de 1,5% do PIB — cerca de R$ 190 bilhões — combinado com mudanças nas regras fiscais. Já o Congresso em Foco registra que o discurso do candidato tem mirado o arcabouço fiscal atual, que ele descreve como incapaz de disciplinar gastos, e defende rever a Previdência e retomar pontos da reforma trabalhista de 2017.

A equipe de Lula (PT), por sua vez, admite a necessidade de algum ajuste fiscal num eventual novo mandato, mas de forma gradual ao longo de quatro anos. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, projeta sair de um déficit de 0,5% do PIB neste ano para um superávit de 1,5% do PIB em 2030. A agenda econômica do governo, segundo mapeamento do Congresso em Foco, inclui ainda transição ecológica, regulação das big techs, mudanças na lei de falências e tributação dos super-ricos — temas que não implicam corte direto de despesa social.

O que pesa mais no déficit, segundo Bastos

Para o economista da Unicamp, o fator que mais pressiona as contas públicas não é o gasto social, e sim os juros: o custo da dívida soma cerca de R$ 1 trilhão por ano, o equivalente a 8,9% do PIB, enquanto o déficit do setor público como um todo giraria em torno de 0,6% do PIB. Ou seja, boa parte do que é apresentado como "problema de gasto" seria, na leitura dele, um problema de taxa de juros.

O arcabouço fiscal no meio do debate

O Novo Arcabouço Fiscal, aprovado no início do governo Lula, limita o crescimento das despesas de acordo com a variação da receita. Lula promete mantê-lo; a campanha de Flávio propõe alterá-lo, com foco em reduzir a dívida pública mais rapidamente. O mercado financeiro, de forma geral, costuma pressionar por cortes de gastos, sob o argumento de que são necessários para garantir a sustentabilidade das contas no longo prazo — pressão que deve continuar, independentemente de quem vencer a eleição em 25 de outubro.

Fontes

  • https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/corte-amplo-de-gastos-publicos-afetaria-area-social-dizem-economistas
  • https://www.congressoemfoco.com.br/artigo/119689/propostas-economicas-e-fiscais-dos-principais-candidatos-de-2026
Nota de transparência

Esta matéria foi produzida pela Redação VEXIA com apoio de inteligência artificial, a partir de fontes públicas verificáveis (decisões judiciais, leis, publicações oficiais e imprensa especializada). As fontes consultadas estão citadas ao final do texto.

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