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Raízen fecha acordo com credores: dívida de R$ 65 bi vira 80% do capital e Ometto sai da liderança

Menos de seis meses após o pedido, a maior recuperação extrajudicial do país entra na reta final: Shell vira maior acionista individual, a empresa será dividida em duas e o fundador deixa o comando do conselho

Produzido com apoio de IA, revisado pela redação. Como trabalhamos

A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, concluiu na sexta-feira (30/10) o desenho final da maior recuperação extrajudicial do Brasil. Em assembleia, a companhia fechou acordo com credores para resolver um passivo de R$ 65 bilhões, segundo o NeoFeed. O desfecho muda quem manda na empresa: os credores passam a ser sócios, com cerca de 80% do capital.

Contexto

O caso começou em 11 de março, com o pedido de recuperação extrajudicial à Justiça. Em 5 de junho, o plano ganhou apoio da maioria dos credores; o Brazil Journal registrou, na época, que cerca de 75% deles estavam prestes a formalizar adesão. O acordo definitivo veio em 30 de outubro, menos de seis meses depois do pedido, de acordo com o NeoFeed.

O Brazil Journal descreve a origem do problema: a Raízen abriu capital em agosto de 2021, captando R$ 6,9 bilhões, com forte investimento em etanol de segunda geração (E2G). Esse projeto e a geração distribuída não entregaram o retorno esperado, e a Selic elevada pressionou o endividamento. A reportagem também registra que as ações fecharam a R$ 0,40 em 5 de junho, contra R$ 7,40 no IPO.

O que está em jogo

Os números do acordo, segundo o NeoFeed (texto de 30/10):

  • Dívida convertida: cerca de R$ 30 bilhões (45% do total) vinham do grupo de credores que agora entra no capital.
  • Dívida reperfilada: os R$ 35 bilhões restantes (55%) ganharam vencimentos de até oito anos.
  • Nova composição: os credores ficam com cerca de 80%. Antes, Shell e Cosan tinham 44% cada, e 12% das ações estavam em circulação.
  • Shell: terá entre 13% e 15%, tornando-se a maior acionista individual; compromete-se a integralizar R$ 3,5 bilhões e terá três cadeiras no conselho.
  • Credores: quatro assentos no conselho. Não haverá bloco de controle nem acordo de acionistas, e a empresa se aproxima de uma corporation, sem controlador definido.
  • Aguassanta (veículo de Rubens Ometto): ficará com menos de 5% e tem opção de integralizar até R$ 500 milhões até o fim de novembro; se o fizer, terá uma cadeira. O NeoFeed apurou que Ometto enviou carta lida na assembleia dizendo que pretende fazer o aporte no prazo.
  • Liderança: Ometto, fundador da Raízen em 2011 e chairman, deixa a liderança da companhia.
  • Acordo tributário: pagamento de R$ 2,5 bilhões à União, referentes a uma dívida original de R$ 22,5 bilhões, feito na sexta.
  • Caixa: previsão de R$ 18,1 bilhões em março, após a recomposição.

No pregão de sexta, as ações RAIZ4 subiram 10,7%, fechando a R$ 0,31. Ainda assim, acumulam queda de 61,2% em 2026 e de 67% em 12 meses, e o valor de mercado citado é de R$ 421,7 milhões, antes das capitalizações.

Como isso funciona

A empresa será dividida em duas companhias de capital aberto, de acordo com o NeoFeed:

  • Raízen Energia, com os ativos ligados à produção (etanol, açúcar e bioenergia). CEO: Geovane Consul; chairman: Julio Piza.
  • Raízen Combustíveis, responsável pela distribuição e pela marca de postos Shell. CEO: Lorival Luz, atual CFO que liderou o processo; chairman: Samuel Aguirre, indicado pelos credores.

A conclusão da cisão está prevista para a segunda quinzena de dezembro, e o início das operações para meados de janeiro de 2027; a composição acionária inicial permanecerá a mesma. O cronograma é mais curto do que o divulgado em junho, quando o Brazil Journal falava em segregação até o fim de 2027.

O mecanismo, em linguagem simples: credores aceitam trocar parte do que têm a receber por ações (a dívida vira capital), e o restante é estendido no tempo. A empresa reduz o que deve e ganha fôlego de caixa; em troca, os antigos donos são diluídos. O Brazil Journal estimou, em junho, que o arranjo eliminaria cerca de R$ 4,5 bilhões em despesas financeiras anuais aos juros da época.

Análise VEXIA

A leitura a seguir é da VEXIA.

O caso é um exemplo didático de como um modelo de crescimento financiado por dívida cara se rompe quando o retorno dos projetos atrasa e a Selic fica alta. A Raízen é grande demais para falir sem arrastar bancos, fornecedores, 100 mil investidores pessoa física em títulos (número do Brazil Journal) e o próprio agronegócio sucroenergético. Por isso, a solução foi negociada: o credor aceitou virar dono porque, na prática, era a forma de recuperar mais valor do que em uma falência.

O trecho mais revelador, na reportagem do NeoFeed, é a dificuldade apontada por fontes do setor: convencer o fundador de que ele precisava sair de cena para a empresa sobreviver. É uma lição de governança. Quando o capital é de outros, a decisão de quem comanda deixa de ser patrimonial e passa a ser parte da solução financeira.

Também vale notar a ausência de controlador. Sem bloco de controle, o conselho passa a ser o centro do poder, com credores, Shell e, eventualmente, Aguassanta dividindo cadeiras. Isso tende a dar mais disciplina de capital, mas também pode tornar decisões estratégicas mais lentas.

Para o mercado, a fotografia é de empresa que sai do risco imediato de colapso, mas ainda com ações muito deprimidas e uma reorganização operacional a executar em poucas semanas. A mesma pressão de juros apareceu em outros casos recentes, como a Chilli Beans e a venda da cimenteira da CSN, em escalas diferentes.

O que muda na prática

  1. Fornecedores e parceiros da Raízen: o risco de ruptura imediata diminui, mas convém acompanhar as duas novas companhias e a estrutura de contratos após a cisão.
  2. Gestores de empresas endividadas: avaliar cedo a conversa com credores. O caso mostra que a renegociação funcionou quando o plano combinou alongamento, conversão em capital e entrada de dinheiro novo.
  3. Fundadores e sócios: o aporte e a permanência no conselho podem virar moeda de troca. Planeje o que está disposto a ceder.
  4. Investidores minoritários: diluição pesada e valor de mercado ainda por definir após as capitalizações; atenção às datas de aporte da Shell e de Aguassanta.
  5. Quem toma crédito: o desfecho reforça que dívida de longo prazo com projeto de retorno incerto é risco que o juro alto pune.

Cenários e próximos passos

  • Execução como planejado: cisão concluída em dezembro e operações separadas em janeiro, com conselho funcionando sem controlador.
  • Aporte de Ometto: a janela da Aguassanta fecha no fim de novembro; sem o aporte, a participação do fundador fica ainda mais residual.
  • Risco operacional: a reorganização em prazo curto exige coordenação de sistemas, contratos e licenças, e qualquer atraso tende a aparecer nos balanços do início de 2027.

Fontes

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Como esta matéria foi feita. A redação da VEXIA usou inteligência artificial para reunir e organizar fontes públicas (dados oficiais, empresas e imprensa especializada), e revisou o texto antes de publicar. As fontes estão citadas ao fim da matéria.

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